terça-feira, 27 de março de 2012

Um rapaz mais do que especial

Lembra da postagem em que mencionei um rapaz com paralisia cerebral que me procurou para que a TV fizesse uma reportagem com ele? Pois é, o dia da entrevista foi hoje, e nem considero essa conversa como uma entrevista, mas, sim, como uma aula.
O Ricardo chegou na emissora e eu e uma das estagiárias iríamos entrevistá-lo. Mais ela do que eu. Mas fiz questão de me apresentar pessoalmente e conhecer um pouco mais da história dele. Ele tem 35 anos e está no primeiro ano de Fonoaudiologia.
Ele nos disse que ele passou do tempo de nascer e, por isso, teve a paralisia. Em uma parte da fala, Ricardo fez questão de diferenciar paralisia cerebral de deficiência mental. Quando eu digo que essa entrevista foi uma aula, não é exagero.
A Aline, a estagiária, foi quem conduziu a entrevista. Eu fiquei de escanteio, para sanar alguma dúvida a mais. Depois que o Ricardo nasceu com a limitação, o pai dele se afastou da família. Eu pensei que ele fosse chorar na hora em que contou os insultos que o próprio pai dirigiu ao filho. Exemplo: débil mental e aleijado (palavras do Ricardo).
Depois que a entrevista terminou, me senti a pior pessoa do mundo. Com toda dificuldade que teve, com o médico dizendo que ele jamais falaria e andaria, e ver esse rapaz se virando sozinho, ficando incomodado quando uma lanchonete não quer cobrar o lanche dele e entrando em contato com uma Redação para que ele seja personagem de uma reportagem, não tem como se sentir um nada.
A minha última pergunta para ele: "Ricardo, qual é o seu sonho?". E a resposta: "Eu quero que as pessoas entendam que eu sou normal, quero me formar em Fonoaudiologia, abrir a minha clínica e ganhar o meu dinheiro". Um soco no estômago de quem desiste fácil das coisas.
Ele enfrentou médicos, pai, colegas de classe e hoje está no banco da universidade. Desistir é uma palavra que não faz parte do vocabulário do Ricardo. Se teve uma entrevista que me deixou emocionado, foi essa. Quando desligamos microfone e câmera, ele se levantou, agradeceu e foi embora. Ele saiu, mas a história e a lição que ele deixou, essas ficarão marcadas na memória.
A reportagem não está pronta. Assim que estiver editada, posto aqui.

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