sexta-feira, 16 de março de 2012

Meu dono de estimação - Focinho de Madeira

Eu presto muita atenção no dia a dia das minhas princesas: Lua Maria e Zoe Cristina. Muita gente pode achar que é bobagem mas eu acredito que os cães, e os animais de um modo geral, podem nos trazer um modo diferente de olhar o mundo, um jeito mais leve de pensar a vida.
Eles não choram de barriga cheia, não ficam tristes nem sentem raiva sem um bom motivo, não guardam rancores, não fazem fofoca, não sofrem de insônia e não passam anos e anos, em terapia, tentando curar aquela depressão "básica". Eles nascem, crescem, se divertem e morrem. Infelizmente, eles morrem. Mas, esse é um assunto que não vou abordar aqui porque está muito além da minha capacidade emocional.
Voltando à leveza: acho uma graça como Lua e Zoe vivem a vidinha delas. Ao que parece, são muito felizes. Por volta das seis da manhã, começam os latidos. Zoe primeiro, Lua vai na esteira da irmã que, como Pincher que é, late bem mais alto, estridente. Antes que a vizinha, salve, salve, mande interfonar, eu me levanto. Tropeço em alguma bolinha deixada no quarto, quase caio, de novo, no corredor porque piso em falso num ossinho que sobrou da noite passada. Quando elas percebem que estou ali, abrindo o portão do paraíso, para que elas saltem e corram enlouquecidas da cozinha para a cama das mamis, elas latem bem mais. Como se fizessem uns 3 anos que não nos vemos. Eu digo: "Não! Silêncio!! Parem!!! Quietas!!!!"... Tudo inútil. Ela latem com vigor, latidos felizes de bom dia! E correm, claro! Sobem na cama aos tropeções, uma rosnando para a outra, como se nunca tivessem se visto, muito menos passado a noite dormindo juntinhas na cozinha. 
Isso é um ritual. Faça sol ou chuva, de segunda a segunda. "Todo dia, ela faz tudo sempre igual..." E é Zoe Cristina quem sempre começa. A latir, a correr, a destruir alguma coisa. Se Lua Maria vivesse sozinha seria uma cachorra bem queita, mansa, bonachona. Mas, a energia da irmã nanica faz com que ela acabe "se ligando" também, e já que a caminha está sendo estraçalhada pela Zoe, por que não se divertir também, não é mesmo? Afinal, na hora da bronca, todas vão parar na cozinha. O castigo é democrático.
Eu bem que tento dar castigos diferenciados. Mas, quando chegamos de algum lugar, e a casa está de pernas para o ar, fica difícil saber quem fez o quê. Embora eu tenha certeza de quem deu a primeira mordida no sofá. "Cozinha! Já!! As duas!"
Lua Maria se ressente, fica chateada. Ela olha bem dentro dos olhos da gente, dá suspiros fundos, sai com o rabinho, literalmente, entre as pernas e vai por si mesma para baixo do armário da cozinha, para o lugar onde ela mesma convencionou que é o "castigo".
Zoe, nem pensar! Ela faz aquela cara de "não é comigo o babado" e ainda é capaz de latir pra gente, dar bronca, dá pulinhos de indignação. Costumo dizer que Zoe Cristina já passou da fase de ser "cara de pau". Ela é dona de um autêntico focinho de madeira!
Exemplos de flagrantes:
Zoe Cristina com vários bonecos de pelúcia roubados do quarto do irmão humano. Eu me aproximo, ela olha para o lado, mastiga um pouco mais o pedaço do boneco que está na boca e pergunta: "Boneco de pelúcia? Onde?".
Zoe Cristina comendo pedaço da nossa planta felicidade. Ela rouba os brotinhos, os galhinhos bebês, sobe no sofá, e vai comer sua salada ao sol. Chego, vejo a cena, olho bem para ela. Você pensa que ela para de comer, que foge? Nada disso. Só falta me pedir um coquetel de frutas, bem gelado, para acompanhar.
Outro dia eu perdi um pé do meu chinelo no quarto. Claro, imaginei que ele não tinha saído andando pelo apartamento. Só em Pernambuco é que existe a lenda da "perna cabeluda" que anda sozinha. Bom, se meu chinelo não anda sozinho, logo ele andou na boca de algum cachorro de 3 quilos. Bingo! Lá estava ela, sobre o sofá, ao sol novamente (ela adora tomar sol de manhã), roendo a borracha cor de rosa de meu chinelo predileto. Cheguei espumando, ela olhou para o lado, com aquele olhar vago, indefinido, como se me dissesse: "Chinelo? O seu? Aquele azul e rosa? Não vi, não."
Zoe Cristina tem uma obsessão. Ela ama um "frufru" que a mami loirinha usa para prender o cabelo. Onde o frufru estiver, está Zoe Cristina atrás. Invariavelmente, ela consegue pegá-lo. Outro dia, sai do banho e ela estava comendo o frufru em cima da cama. "Zoe, o que é isso?" Ela me olhou, quis rosnar mas desistiu, e ficou com aquela carinha de: "Olha só o que eu achei no chão? Lua Maria estava comendo o frufru e eu o salvei!".
Mais uma: Zoe rouba, sempre que pode, as escovas de dentes do armário. Dela e de Lua. Ela adora mascar as escovas. A dela é só de borracha e a da Lua Maria é uma escova tradicional. Dou um grito e ela parece que grita também: "Nossa! Precisa desse escândalo? Vocês não vivem mandando meu irmão humano escovar os dentes? Então, estou apenas fazendo minha higiene bucal!".
A essa altura, Lua já saiu de perto. Ela vê que a irmã está aprontando e foge. Toda vez que eu encontro Zoe destruindo a caminha ou comendo coisas indevidas, posso procurar Lua Maria na cozinha, embaixo do armário. A pequena faz as "artes" e Lua se impõe logo um castigo.
Eu queria ter esse focinho de madeira que Zoe Cristina tem, viu? É tanta preocupação, tanta culpa, tanta vontade de acertar e medo de errar que estou sempre correndo pra debaixo do armário também. Zoe não parece nennhum pouco preocupada com as broncas repetidas ou com o castigo na cozinha. Foi para lá? Ela arruma algo para roer. Ou dorme.
A preocupação que sobra em Lua falta totalmente em Zoe. E quem está certa? Lua sofre, Zoe se diverte. Lua sente medo, Zoe se diverte. Lua se preocupa, Zoe se diverte ainda mais.
Será que com mais de 40 anos, perto de chegar aos 50, a gente pode mudar esse "jeito Lua Maria" de ser?
Queria roubar os chinelos, comer as plantinhas, roer os bonecos de pelúcia, ou a colcha nova da cama da vida, sem tanta culpa, sem tanta preocupação. Afinal, o que vale mais? Objetos que vão se perder com o tempo, ou os olhinhos brilhando da minha pequena, com aquela carinha sapeca, de: "não estou fazendo nada, mami..."?
Estou tentando aprender. Estamos. Todos. Abaixo a preocupação! Queremos o "frufru" da vida!  

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