quinta-feira, 15 de março de 2012

Ela não queria tristeza. Vamos celebrar a vida!

Foi uma quarta-feira tão estranha. Depois de uma noite bem dormida, acordei tarde, tomei café e fui para o centro comprar algumas coisas para a festa da formatura. Cheguei ao trabalho, passei por todas as salas dando "bom dia" e fui para a minha mesa.
Ligo o computador e, ao abrir o Facebook, vejo a notícia que tornaria aquele o dia mais difícil de se trabalhar do ano. Em questão de segundos, estava eu sozinho, no silêncio da Redação deixando lágrimas rolarem no meu rosto.
Não acreditava que aquela menina guerreira, que aparece sorrindo em todas as fotos, tinha sido levada embora. Há um tempo pudemos acompanhar a história da Suellen contada por ela mesma em seu blog. Com as postagens, compreendi o real significado de "vontade de viver".
A luta dessa jornalista começou cedo. O maldito câncer venceu a batalha e levou para o céu uma das pessoas mais simpáticas e sorridentes que eu já conheci. Tive o prazer de estudar com a Suellen por dois anos no colegial.
Em uma turma de 150 alunos, éramos os únicos apaixonados pelo Jornalismo. Na orientação vocacional, brincávamos que futuramente seríamos o novo casal do Jornal Nacional. Ela se formou dois anos antes de mim e já estava fazendo mestrado.
Não era um tumor aqui ou ali que faria com que ela desistisse do sonho. Já na faculdade, ela teve de enfrentar alguns tratamentos. As histórias estão contadas no blog que ela tanto comemorava o número de acessos. Até na Gazeta do Povo ela ganhou destaque. E ela fazia questão de divulgar isso nas redes sociais.
Com tudo o que li, que ouvi e que soube dessa menina, ficar sabendo que ela havia perdido a batalha foi um choque. Mais tarde, naquela quarta-feira, no programa ao vivo na Rádio Cesumar, dediquei uma música pra ela: "Os bons morrem jovens". Falei, também, da vontade que ela tinha de viver, da esperança que ela demonstrava em suas postagens. Saber que ela lutou até o último minuto e foi nocauteada.
Trabalhei até as 20h e corri para Apucarana. Tinha que me despedir da minha colega de profissão, que sonhava alto e que, quem sabe, seria, sim, minha parceira de bancada. Vê-la deitada, de olhos fechados, com muita gente ao redor, aumentou ainda mais a minha tristeza.
As pessoas não paravam de chegar. Muitas coroas de flores coloriam o espaço tão obscuro. O sorriso da foto ao lado em nada lembrava o semblante dela dormindo. Ali, não chorei. Lembrava das postagens em que ela dizia que não gostava que as pessoas tivessem pena dela. Eu estava ali para dizer um "até logo". Com certeza, para onde ela foi, está iluminando o espaço com o sorriso dela.
Suellen, descanse em paz. A sua batalha aqui na Terra acabou, mas o seu exemplo de força de vontade será lembrado para sempre. Fica a tristeza da perda, mas a certeza de que agora você descansa.
Abaixo, um dos textos que mais me marcaram.


O que eu penso sobre a morte? (Suellen Vieira - 15/08/2011)

"Morte: um assuntinho sobre o qual ninguém gosta de falar (e que, muito provavelmente, tenha causado um certo estranhamento a quem leu o título acima). Mas, pera aí. Todo mundo morre, confere? Eu, como todo mundo, não sou imortal. A diferença é que, convivendo com a sombra e com o peso de uma doença que, para muitos, é sentença de morte, acabo descobrindo o verdadeiro significado da vida. Clichê, né? Pois é, toda essa coisa de "Aproveite a vida como se fosse o último dia", "Viva um dia de cada vez", "Dê valor às coisas simples" e outros blábláblás fazem todo sentido, no fim das contas. Afinal, hoje eu estou viva e, nesse mesmo hoje, muitos morreram de acidente de trânsito, de infarte, vítimas da violência urbana, ou com uma picada de cobra. E muitas dessas pessoas, que não tinham câncer, não souberam aproveitar a vida, não puderam dizer "Eu te amo" a quem elas amaram, não puderam dizer "Desaprovo" a muitas coisas que elas não gostaram, não puderam se despedir, enfim. Não que minha vida seja uma constante despedida, pelo contrário, acho que se eu viver 30, 40, 90 ou 105, vão ser anos muito bem vividos. Terei feito tudo o que me deu na telha, sem pensar no futuro. Porque a vida é aqui, agora, já. Imortal é essa essência, imortal é a lembrança que você deixa aos que conviveram com você, imortal é a diferença que você pode fazer neste mundo. Mas você, você não é imortal, tendo ou não câncer! Ah, tem mais, quando eu morrer não quero velório. Não quero ninguém chorando a minha morte. Mas convido todos, sim, a  celebrarem a vida... Tim-tim?"

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