sábado, 31 de março de 2012

Publicitários se superam, de novo

Baseados na propaganda de uma margarina, os publicitários inovaram e trouxeram-nos uma surpresa. É a divulgação do novo Siena, da Fiat. Apesar de brincar com a mesma música e estilo da margarina, a ideia rendeu um produto genial.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Meu dono de estimação - Separadas ao nascer

Zoe Cristina chega do passeio. Entra em casa bravinha, com um humor de cão!
Lua Maria entra atrás, ressabiada, com as orelhas meio baixas, desconfiada.
Zoe late primeiro:
- Nem olhe pra mim! Estou avisando... estou mordendo o ar!!
- Credo, baixinha! Que raiva é essa? O que eu fiz pra você?
- O que você fez? Ainda tem coragem de perguntar?
- Juro, Zoe... não fiz nada...
- Ah, é?! Quer dizer que a gente se separa durante o passeio, porque eu segui com os cães menores, e você com os maiores, e quando a gente se encontrou na porta da padaria você nem olhou na minha cara! Cheguei fazendo festa e você me deu aquele olhar de: "nem te conheço"? Aqui dentro de casa somos irmãs, você me chama de baixinha, e coisa e tal... e na rua me trata desse jeito?
- Eu fiz isso? Você bebeu Zoe Cristina?
- Você é quem deve ter bebido. Nem se lembra? Aliás, o que você estava fazendo com aquela outra pessoa? E que cachorro boxer era aquele ao seu lado?
- Tem certeza de que era eu? Olha, juro pra você que eu não me separei da matilha dos cães maiores. Fiz o passeio quietinha, na boa. Pode perguntar pra tia Camila.
- Como não era você, Lua Maria? Eram seus olhos, do mesmo jeito, da mesma cor. Eram os mesmos desenhos na cabeça, a mesma cor do pelo, você só estava uns quilos mais magras.
- Mais magra? Pituquinha, presta atenção. Pensa um pouco...vamos lá, use o seu cérebro de nóz moscada: como eu posso estar com este peso agora, um pouco "fofinha", e horas atrás, quando você acha que você me viu, estar pesando menos? Impossível, né?
- Nossa! Não tinha pensando nisso. É mesmo. Impossível. Então, quer dizer que aquela cachorra que vi na porta da padaria não era você?! Mas, era a sua cara... ou melhor, era o seu focinho...tudo igualzinho...até seus dentes branquinhos, Lua! Eu juro!!
- Calma! Eu acredito em você. E posso explicar. Você encontrou, na verdade, a cachorrinha que se chama Vida. Ela está sob os cuidados de uma pessoa muito legal, a Ana Maria que também tem um boxer. A Vida foi encontrada numa situação difícil, estava na rua, num lixão, numa cidade do litoral paulistano. Ela estava magrinha, abandonada, e a Ana Maria se encantou com ela. Fez o resgate e trouxe a Vida pra São Paulo, e agora ela mora no apartamento desse boxer que se chama Thor. Entendeu?
-Puxa!!! E ela é sua irmã gêmea, não é?
- Pois é, eu ouvi nossas mamis conversando sobre essa história. E elas acham que sim, somos irmãs. É que quando eu e meus irmãos nascemos, uma irmãzinha foi doada e a gente não sabe muito bem pra quem. Essa pessoa pode ter levado a Vida pra longe e ela pode ter fugido, ou ter sido roubada, ou até mesmo abandonada, e estava vagando pelas ruas, morando mal. Até ter a sorte de ser encontrada pela Ana Maria.
-Que coisa incrível, Lua! Vocês só podem ser irmãs... Eu juro que confundi você. Saí da porta da padaria latindo brava mesmo, falando barbaridades e a tal da Vida não deve ter entendido nada...hehehe...
- Deve ter entendido que neste bairro tem uma cachorrinha meio maluca...
- Ah, eu vou pedir desculpas e explicar tudo direitinho quando encontrá-la novamente. Mas, vocês precisam se ver...
- Nossas mamis estão arrumando esse encontro.
- Uau! Vai ser incrível. Você vai olhar para a Vida e vai achar que está se vendo num espelho...só que um pouco mais esbelta. E a Vida vai poder ver como ficará, se comer demais...hehehe...
- Cheia de piadinhas, né Zoe Cristina?!
- Eu sou assim: espirituosa, criativa. Mas, estou impressionada! Sim, porque nós cãezinhos de "raça", como pincher que sou, todos nós somos mesmo muito parecidos. Mas vocês, sem raça definida, não. Vocês, cada um tem uma cara diferente. Nunca vi dois tombas latas iguais!!
- Tomba latas? Eu vou é tombar você, sua nanica!
- Calma, olha a violência! As mamis já avisaram que não querem mais confrontos dentro de casa.
- Hum... Você tá provocando... Tá se "achando" só porque diz que tem uma "raça"...quanta bobagem!!
- É, tá certo. Você tem razão. Não temos que valorizar essas tolices de raça e sangue azul, como é o meu caso, né?
- Vou morder a sua "fuça" pra ver se sai sangue azul, ah se vou!
- Calma! Respire. Vamos fazer ioga maninha...
- Não enche Zoe.
- Lua... estava aqui pensando: vou fazer amizade com a Vida porque o dia que você não quiser brincar comigo eu corro pra ela... morder a Vida deve ter o mesmo gostinho de morder você!
- Interesseira!
- Inteligente, você quer dizer, né?! Tá com ciúme, é?
- Só me faltava essa!
- Confessa, Lua Maria: confessa que você me ama e não vive sem mim!
Nesse momento, as duas se embolam pela cama, caem da cama, correm até o sofá, se embolam pelo sofá, caem do sofá, se embolam no tapete e só não caem do tapete porque não dá pra cair no andar debaixo, na cabeça do vizinho.
Depois de muitas emboladas, as duas cochilam felizes. Lua Maria, curiosa, pensando que deseja conhecer a possível irmãzinha. Zoe, em segredo mais secreto, pensa que se uma Lua Maria já é ótima, duas então! E ela se sente feliz com a ideia de ver Lua e Vida juntas. Independente de todas as piadas, e de um jeito "meio estúpido" de ser, Zoe Cristina tem um coração enorme, que mal cabe no seu corpinho de 3 quilos. E ela ama, de paixão, Lua Maria... mesmo com mordidas e patadas diárias. Elas são as melhores amigas, as irmãs inseparáveis e ajudam a compor uma família. Família feliz!
Lua suspira. Zoe suspira. A noite vem chegando mansa pela casa. Daqui a pouco o irmão humano vai entrar, agitado, barulhento, dançando, batucando, cantando Michel Teló (ninguém é perfeito). E as mamis chegarão do trabalho, mortas de saudade da casa, dos pequenos, da vida boa que têm o privilégio de viver. Amém, amém, amém!

terça-feira, 27 de março de 2012

Um rapaz mais do que especial

Lembra da postagem em que mencionei um rapaz com paralisia cerebral que me procurou para que a TV fizesse uma reportagem com ele? Pois é, o dia da entrevista foi hoje, e nem considero essa conversa como uma entrevista, mas, sim, como uma aula.
O Ricardo chegou na emissora e eu e uma das estagiárias iríamos entrevistá-lo. Mais ela do que eu. Mas fiz questão de me apresentar pessoalmente e conhecer um pouco mais da história dele. Ele tem 35 anos e está no primeiro ano de Fonoaudiologia.
Ele nos disse que ele passou do tempo de nascer e, por isso, teve a paralisia. Em uma parte da fala, Ricardo fez questão de diferenciar paralisia cerebral de deficiência mental. Quando eu digo que essa entrevista foi uma aula, não é exagero.
A Aline, a estagiária, foi quem conduziu a entrevista. Eu fiquei de escanteio, para sanar alguma dúvida a mais. Depois que o Ricardo nasceu com a limitação, o pai dele se afastou da família. Eu pensei que ele fosse chorar na hora em que contou os insultos que o próprio pai dirigiu ao filho. Exemplo: débil mental e aleijado (palavras do Ricardo).
Depois que a entrevista terminou, me senti a pior pessoa do mundo. Com toda dificuldade que teve, com o médico dizendo que ele jamais falaria e andaria, e ver esse rapaz se virando sozinho, ficando incomodado quando uma lanchonete não quer cobrar o lanche dele e entrando em contato com uma Redação para que ele seja personagem de uma reportagem, não tem como se sentir um nada.
A minha última pergunta para ele: "Ricardo, qual é o seu sonho?". E a resposta: "Eu quero que as pessoas entendam que eu sou normal, quero me formar em Fonoaudiologia, abrir a minha clínica e ganhar o meu dinheiro". Um soco no estômago de quem desiste fácil das coisas.
Ele enfrentou médicos, pai, colegas de classe e hoje está no banco da universidade. Desistir é uma palavra que não faz parte do vocabulário do Ricardo. Se teve uma entrevista que me deixou emocionado, foi essa. Quando desligamos microfone e câmera, ele se levantou, agradeceu e foi embora. Ele saiu, mas a história e a lição que ele deixou, essas ficarão marcadas na memória.
A reportagem não está pronta. Assim que estiver editada, posto aqui.

domingo, 25 de março de 2012

Inacreditável - racismo no esporte

Domingo de manhã, geralmente, é um momento em que eu estou curtindo lençóis, travesseiro e colchão. Mas este foi um dia atípico. Acordei cedo, em Maringá, e algum tempo depois partia para Apucarana para almoçar com a família.
Cheguei na cidade natal e estava cedo. Então, sentei no sofá e fiquei assistindo ao Esporte Espetacular, da Rede Globo. Glenda e Tande anunciaram que na volta do intervalo acompanharíamos uma reportagem sobre racismo no esporte.
O assunto foi discutido em mais de dez minutos de reportagem. As histórias de jogadores humilhados em campo ou quadra eram surpreendentes. Impossível ver que em 2012 os torcedores ainda agridem jogadores de times adversários com xingamentos preconceituosos.
Um dos nomes mais comuns ouvidos durante as partidas é "macaco". O trecho da reportagem que mais me marcou foi quando um jogador de vôlei foi agredido verbalmente por uma torcedora do time adversário na hora em que ele estava atacando.
Com o ponto marcado, o jogador ficou procurando na arquibancada a autora dos insultos.
Eu fico inconformado com a ignorância das pessoas humilhando profissionais nos seus locais de trabalho e com xingamentos tão infantis e, ao mesmo tempo, tão feios. Discriminar alguém pela cor da pele é algo tão ultrapassado. Ouvimos e vemos tantas campanhas contra o preconceito, mas parece que alguns ignorantes continuam insistindo no erro.
E não é só no Brasil que isso acontece. Na Rússia, Roberto Carlos foi humilhado enquanto jogava. Na peneira, durante o campeonato russo, um torcedor ofereceu banana para o jogador. Mais tarde, a fruta foi arremessada no campo.
E o pior, os jogadores adversários se xingam em campo. Os ânimos estão à flor da pele e eles não controlam a língua.
Racismo, no Brasil, é um crime inafiançável e pode dar até 5 anos de prisão. As punições existem, mas até hoje nenhum jogador foi punido por racismo. E olha que a lei existe desde 2006.
Impressionante que em um país que mistura tantas raças ainda exista esse tipo de preconceito. A tolerância à diferença deve vir de berço. Se isso não acontece, no mínimo, a pessoa tem de ter consciência e educação para entender porque as pessoas são diferentes uma das outras. Respeitar não custa nada.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Qual é o seu primeiro conceito?

Quando você ouve dizer que uma pessoa tem paralisia cerebral, qual a primeira imagem que vem à sua cabeça? Provavelmente, algo parecido com a imagem acima, certo? Pois é, para mim também é assim. Até que hoje toca o telefone na Redação.
" -Oi Felipe, meu nome é Ricardo e eu vou falar bem devagar pra você me entender."
O que eu ouvi a partir disso foi uma tremenda surpresa, misturada com uma felicidade imensurável.
O Ricardo é aluno de Fonoaudiologia do Cesumar e me ligou para sugerir uma pauta em que ele seria um dos possíveis personagens. Ele começou a explicar que ele tem paralisia cerebral e que gostaria de ajudar a compor uma reportagem sobre dificuldades que um deficiente físico enfrenta.
Eu fiquei em choque com a sabedoria que o garoto demonstrou e completamente feliz em saber que eu estaria ajudando uma pessoa tão determinada.
Falei que segunda-feira eu ligo para ele já para agendar a entrevista. Estou muito ansioso com o possível resultado que conseguiremos nessa reportagem. Depois posto aqui a continuação e, com certeza, a reportagem completa.

terça-feira, 20 de março de 2012

O sorriso do dia

Por que somos tão bobos para não reparar em coisas simples da vida?
Hoje foi um dia corrido no trabalho. Cheguei cedo, corri para um evento, fiz o meu trabalho e, lá, eu e o cinegrafista ganhamos uma sacola com sucos e leites. Os sucos seriam colocados na geladeira da TV e divididos com os demais funcionários.
Os leites seriam doados a quem interessasse. No caminho de volta, o motorista foi um dos beneficiados com um dos litros de leite. Na chegada ao prédio da TV, fui levar os sucos para a geladeira. Eis que na cozinha encontro a nossa zeladora.
- Dona Lina, a senhora gosta de leite de soja?
E não é que ela gosta. Quando levei o litro para ela, ela abriu um sorriso que valeu por aquela manhã inteira de trabalho. Para armazenar os produtos, a empresa forneceu uma sacola laranjada e transparente.
- Dona Lina, a senhora gostou dessa sacola?
Com a resposta positiva dela, ficou com a sacola de presente. Ela não acreditava que estava recebendo os presentes. Ela transpareceu uma alegria que poucas vezes vi em outra pessoa. E a alegria dela me contagiou. Mais tarde, algumas pessoas perguntaram onde estava a sacola que ganhamos.
- Eu dei para a dona Lina, e ela ficou muito mais feliz do que qualquer pessoa que recebesse aquele presente.
Foi algo tão simples, tão singelo e que fez a alegria de, pelo menos, duas pessoas naquela manhã: eu e a dona Lina.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Meu dono de estimação - Focinho de Madeira

Eu presto muita atenção no dia a dia das minhas princesas: Lua Maria e Zoe Cristina. Muita gente pode achar que é bobagem mas eu acredito que os cães, e os animais de um modo geral, podem nos trazer um modo diferente de olhar o mundo, um jeito mais leve de pensar a vida.
Eles não choram de barriga cheia, não ficam tristes nem sentem raiva sem um bom motivo, não guardam rancores, não fazem fofoca, não sofrem de insônia e não passam anos e anos, em terapia, tentando curar aquela depressão "básica". Eles nascem, crescem, se divertem e morrem. Infelizmente, eles morrem. Mas, esse é um assunto que não vou abordar aqui porque está muito além da minha capacidade emocional.
Voltando à leveza: acho uma graça como Lua e Zoe vivem a vidinha delas. Ao que parece, são muito felizes. Por volta das seis da manhã, começam os latidos. Zoe primeiro, Lua vai na esteira da irmã que, como Pincher que é, late bem mais alto, estridente. Antes que a vizinha, salve, salve, mande interfonar, eu me levanto. Tropeço em alguma bolinha deixada no quarto, quase caio, de novo, no corredor porque piso em falso num ossinho que sobrou da noite passada. Quando elas percebem que estou ali, abrindo o portão do paraíso, para que elas saltem e corram enlouquecidas da cozinha para a cama das mamis, elas latem bem mais. Como se fizessem uns 3 anos que não nos vemos. Eu digo: "Não! Silêncio!! Parem!!! Quietas!!!!"... Tudo inútil. Ela latem com vigor, latidos felizes de bom dia! E correm, claro! Sobem na cama aos tropeções, uma rosnando para a outra, como se nunca tivessem se visto, muito menos passado a noite dormindo juntinhas na cozinha. 
Isso é um ritual. Faça sol ou chuva, de segunda a segunda. "Todo dia, ela faz tudo sempre igual..." E é Zoe Cristina quem sempre começa. A latir, a correr, a destruir alguma coisa. Se Lua Maria vivesse sozinha seria uma cachorra bem queita, mansa, bonachona. Mas, a energia da irmã nanica faz com que ela acabe "se ligando" também, e já que a caminha está sendo estraçalhada pela Zoe, por que não se divertir também, não é mesmo? Afinal, na hora da bronca, todas vão parar na cozinha. O castigo é democrático.
Eu bem que tento dar castigos diferenciados. Mas, quando chegamos de algum lugar, e a casa está de pernas para o ar, fica difícil saber quem fez o quê. Embora eu tenha certeza de quem deu a primeira mordida no sofá. "Cozinha! Já!! As duas!"
Lua Maria se ressente, fica chateada. Ela olha bem dentro dos olhos da gente, dá suspiros fundos, sai com o rabinho, literalmente, entre as pernas e vai por si mesma para baixo do armário da cozinha, para o lugar onde ela mesma convencionou que é o "castigo".
Zoe, nem pensar! Ela faz aquela cara de "não é comigo o babado" e ainda é capaz de latir pra gente, dar bronca, dá pulinhos de indignação. Costumo dizer que Zoe Cristina já passou da fase de ser "cara de pau". Ela é dona de um autêntico focinho de madeira!
Exemplos de flagrantes:
Zoe Cristina com vários bonecos de pelúcia roubados do quarto do irmão humano. Eu me aproximo, ela olha para o lado, mastiga um pouco mais o pedaço do boneco que está na boca e pergunta: "Boneco de pelúcia? Onde?".
Zoe Cristina comendo pedaço da nossa planta felicidade. Ela rouba os brotinhos, os galhinhos bebês, sobe no sofá, e vai comer sua salada ao sol. Chego, vejo a cena, olho bem para ela. Você pensa que ela para de comer, que foge? Nada disso. Só falta me pedir um coquetel de frutas, bem gelado, para acompanhar.
Outro dia eu perdi um pé do meu chinelo no quarto. Claro, imaginei que ele não tinha saído andando pelo apartamento. Só em Pernambuco é que existe a lenda da "perna cabeluda" que anda sozinha. Bom, se meu chinelo não anda sozinho, logo ele andou na boca de algum cachorro de 3 quilos. Bingo! Lá estava ela, sobre o sofá, ao sol novamente (ela adora tomar sol de manhã), roendo a borracha cor de rosa de meu chinelo predileto. Cheguei espumando, ela olhou para o lado, com aquele olhar vago, indefinido, como se me dissesse: "Chinelo? O seu? Aquele azul e rosa? Não vi, não."
Zoe Cristina tem uma obsessão. Ela ama um "frufru" que a mami loirinha usa para prender o cabelo. Onde o frufru estiver, está Zoe Cristina atrás. Invariavelmente, ela consegue pegá-lo. Outro dia, sai do banho e ela estava comendo o frufru em cima da cama. "Zoe, o que é isso?" Ela me olhou, quis rosnar mas desistiu, e ficou com aquela carinha de: "Olha só o que eu achei no chão? Lua Maria estava comendo o frufru e eu o salvei!".
Mais uma: Zoe rouba, sempre que pode, as escovas de dentes do armário. Dela e de Lua. Ela adora mascar as escovas. A dela é só de borracha e a da Lua Maria é uma escova tradicional. Dou um grito e ela parece que grita também: "Nossa! Precisa desse escândalo? Vocês não vivem mandando meu irmão humano escovar os dentes? Então, estou apenas fazendo minha higiene bucal!".
A essa altura, Lua já saiu de perto. Ela vê que a irmã está aprontando e foge. Toda vez que eu encontro Zoe destruindo a caminha ou comendo coisas indevidas, posso procurar Lua Maria na cozinha, embaixo do armário. A pequena faz as "artes" e Lua se impõe logo um castigo.
Eu queria ter esse focinho de madeira que Zoe Cristina tem, viu? É tanta preocupação, tanta culpa, tanta vontade de acertar e medo de errar que estou sempre correndo pra debaixo do armário também. Zoe não parece nennhum pouco preocupada com as broncas repetidas ou com o castigo na cozinha. Foi para lá? Ela arruma algo para roer. Ou dorme.
A preocupação que sobra em Lua falta totalmente em Zoe. E quem está certa? Lua sofre, Zoe se diverte. Lua sente medo, Zoe se diverte. Lua se preocupa, Zoe se diverte ainda mais.
Será que com mais de 40 anos, perto de chegar aos 50, a gente pode mudar esse "jeito Lua Maria" de ser?
Queria roubar os chinelos, comer as plantinhas, roer os bonecos de pelúcia, ou a colcha nova da cama da vida, sem tanta culpa, sem tanta preocupação. Afinal, o que vale mais? Objetos que vão se perder com o tempo, ou os olhinhos brilhando da minha pequena, com aquela carinha sapeca, de: "não estou fazendo nada, mami..."?
Estou tentando aprender. Estamos. Todos. Abaixo a preocupação! Queremos o "frufru" da vida!  

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ela não queria tristeza. Vamos celebrar a vida!

Foi uma quarta-feira tão estranha. Depois de uma noite bem dormida, acordei tarde, tomei café e fui para o centro comprar algumas coisas para a festa da formatura. Cheguei ao trabalho, passei por todas as salas dando "bom dia" e fui para a minha mesa.
Ligo o computador e, ao abrir o Facebook, vejo a notícia que tornaria aquele o dia mais difícil de se trabalhar do ano. Em questão de segundos, estava eu sozinho, no silêncio da Redação deixando lágrimas rolarem no meu rosto.
Não acreditava que aquela menina guerreira, que aparece sorrindo em todas as fotos, tinha sido levada embora. Há um tempo pudemos acompanhar a história da Suellen contada por ela mesma em seu blog. Com as postagens, compreendi o real significado de "vontade de viver".
A luta dessa jornalista começou cedo. O maldito câncer venceu a batalha e levou para o céu uma das pessoas mais simpáticas e sorridentes que eu já conheci. Tive o prazer de estudar com a Suellen por dois anos no colegial.
Em uma turma de 150 alunos, éramos os únicos apaixonados pelo Jornalismo. Na orientação vocacional, brincávamos que futuramente seríamos o novo casal do Jornal Nacional. Ela se formou dois anos antes de mim e já estava fazendo mestrado.
Não era um tumor aqui ou ali que faria com que ela desistisse do sonho. Já na faculdade, ela teve de enfrentar alguns tratamentos. As histórias estão contadas no blog que ela tanto comemorava o número de acessos. Até na Gazeta do Povo ela ganhou destaque. E ela fazia questão de divulgar isso nas redes sociais.
Com tudo o que li, que ouvi e que soube dessa menina, ficar sabendo que ela havia perdido a batalha foi um choque. Mais tarde, naquela quarta-feira, no programa ao vivo na Rádio Cesumar, dediquei uma música pra ela: "Os bons morrem jovens". Falei, também, da vontade que ela tinha de viver, da esperança que ela demonstrava em suas postagens. Saber que ela lutou até o último minuto e foi nocauteada.
Trabalhei até as 20h e corri para Apucarana. Tinha que me despedir da minha colega de profissão, que sonhava alto e que, quem sabe, seria, sim, minha parceira de bancada. Vê-la deitada, de olhos fechados, com muita gente ao redor, aumentou ainda mais a minha tristeza.
As pessoas não paravam de chegar. Muitas coroas de flores coloriam o espaço tão obscuro. O sorriso da foto ao lado em nada lembrava o semblante dela dormindo. Ali, não chorei. Lembrava das postagens em que ela dizia que não gostava que as pessoas tivessem pena dela. Eu estava ali para dizer um "até logo". Com certeza, para onde ela foi, está iluminando o espaço com o sorriso dela.
Suellen, descanse em paz. A sua batalha aqui na Terra acabou, mas o seu exemplo de força de vontade será lembrado para sempre. Fica a tristeza da perda, mas a certeza de que agora você descansa.
Abaixo, um dos textos que mais me marcaram.


O que eu penso sobre a morte? (Suellen Vieira - 15/08/2011)

"Morte: um assuntinho sobre o qual ninguém gosta de falar (e que, muito provavelmente, tenha causado um certo estranhamento a quem leu o título acima). Mas, pera aí. Todo mundo morre, confere? Eu, como todo mundo, não sou imortal. A diferença é que, convivendo com a sombra e com o peso de uma doença que, para muitos, é sentença de morte, acabo descobrindo o verdadeiro significado da vida. Clichê, né? Pois é, toda essa coisa de "Aproveite a vida como se fosse o último dia", "Viva um dia de cada vez", "Dê valor às coisas simples" e outros blábláblás fazem todo sentido, no fim das contas. Afinal, hoje eu estou viva e, nesse mesmo hoje, muitos morreram de acidente de trânsito, de infarte, vítimas da violência urbana, ou com uma picada de cobra. E muitas dessas pessoas, que não tinham câncer, não souberam aproveitar a vida, não puderam dizer "Eu te amo" a quem elas amaram, não puderam dizer "Desaprovo" a muitas coisas que elas não gostaram, não puderam se despedir, enfim. Não que minha vida seja uma constante despedida, pelo contrário, acho que se eu viver 30, 40, 90 ou 105, vão ser anos muito bem vividos. Terei feito tudo o que me deu na telha, sem pensar no futuro. Porque a vida é aqui, agora, já. Imortal é essa essência, imortal é a lembrança que você deixa aos que conviveram com você, imortal é a diferença que você pode fazer neste mundo. Mas você, você não é imortal, tendo ou não câncer! Ah, tem mais, quando eu morrer não quero velório. Não quero ninguém chorando a minha morte. Mas convido todos, sim, a  celebrarem a vida... Tim-tim?"

segunda-feira, 5 de março de 2012

Meu dono de estimação - Medita cão

Lua Maria procura Zoe Cristina pela casa e não a encontra. Olha embaixo da cama, na sala de tv, embaixo do armário da cozinha e pensa: - Onde essa criaturinha se meteu, gente?
Como todo cachorro, Lua aciona seu super olfato e sai atrás do cheirinho das patinhas de Zoe.
- Ah, você está aí, é? Escondida dentro das capas do sofá?
- Lua Maria, não me atrapalhe!
- Nossa! E o que o serzinho superior está fazendo de tão especial, no meio das capas do sofá, que não pode ser interrompida?
- Estou meditando, dá licença?
- Medi... o quê?
Gargalhadas expodem no ar. Lua Maria não se aguenta, dá risada deitada, com a barriga para cima, coçando as costas no tapete.
- Eu sabia que você não me entenderia. Por isso mesmo me escondi aqui. Agora, dá licença?!
- Zoe, você é cachorro e nós não meditamos, não fazemos ioga. Nós corremos atrás de bolinhas e pulamos. Nosso exercício é aeróbico, entendeu?
- Você é um cachorro Lua Maria. Eu sou um ser evoluído e transcendental. Apenas "estou" na pele de um cachorro. Mas meu "Eu" vai muito além de latir e comer ração, certo?
- Ó!!! Desculpe, ser divino... e qual é a busca da senhora santidade neste momento de "paz e reflexão"???
- Lua Maria, eu nem deveria responder à sua pergunta porque há muita ironia no seu tom. Mas, como sou um ser evoluído vou tentar te explicar. Eu estou aqui, quietinha, meditando, conectando meu pensamento ao pensamento de nosso primo Billy. Entendeu?
- O Billy? É possível?
- Claro que sim. Nossas mamis não falam com o mundo todo usando o computador, a internet e o facebook? É a mesma coisa. Com a diferença de que eu não preciso de teclados e nem de conexões. As ondas do meu pensamento fazem tudo. Eu penso aqui, ele me responde lá.
- Puxa, maneiro, Zoe. E eu posso fazer também?
- Hum... tem que treinar.
- Deixa eu tentar, deixa eu tentar...
Lua Maria se enfia entre as capas do sofá desmontando com seu tamanho e peso a cabaninha improvisada por Zoe.
- Olha só, você acabou com meu santuário!
Lua se mexe, remexe, focinha as capas, dá umas voltas em si mesma até que as duas ficam cobertas.
- Pronto. Arrumei. E agora? O que eu faço?
- Tá bom! Não vou conseguir mesmo me livrar de você, né? Agora, você respira Lua Maria.
- Só isso?
- É. Pra começar. Vai respirando. Lentamente. Puxa o ar em quatro tempos, mantém o ar e conta até oito e depois solta o ar contando até doze.
- Nossa! Que coisa difícil... respira, respira, respira, respira. Agora fico engasgada e conto até 8. E... Hum, hum... Ufa!!! Solto em um, em dois, em doze...pronto... Ué, não aconteceu nada Zoe...
- Ai, meu mestre Rampur (cão indiano), meu poodle Ri Ponché! Vamos fazer uma coisa Lua? Fica quietinha aí. Respira normal, para de babar na minha pata, certo? Eu vou me conectar com o nosso primo Billy e vou te contando tudo, certo?
- Tá bom, tá bom... Conta aí...
- Aum... Aum... Aum...
- Zoe, você engoliu um motorzinho?
- Quieta Lua! Estou recitando meu mantra: Aum, Aum, Aum...
...
- Lua para de soltar pum aqui dentro! Afff!!! Vai me sufocar...
- Desculpa, maninha, foi mal...
...
- Pois bem, nosso primo Billy está me contando que ganhou uma caderinha. Ele agora anda motorizado. As patinhas traseiras ainda não voltaram ao normal. Às vezes ele consegue  se apoiar sobre elas mas logo perde a força. Por isso, o carrinho é muito importante para ele.
- Puxa! Um carrinho! Maneiro, né? E ele está bem?
- Sim. Está contente, animado. Recebe todo o carinho do mundo da família. Está com saúde, come e dorme bem, e corre pela casa com o carrinho. Ele diz que está tudo certo.
- Legal! Diz pra ele que qualquer dia a gente vai lá, e vai dar uma volta na motoca dele.
- Aum, Aum, Aum...
...
- Ah, não! Pum de novo, Lua Maria?! Sai daqui!!
- Desculpa. Mas, toda vez que você faz esse barulho me dá vontade de rir, daí eu seguro a risada mas o punzinho sai, né?!
- Fora do meu santuário.
- Santuário? Isto é um cafofo, Zoe. Risos... E é muito gozado ver você mastigando mantras.
- Mastigando? É recitando, ignorante.
- Ah, é? E por que você está mexendo a boca?
- É que... bem, eu... você sabe, né? Estou aqui, e esta capa do sofá tem um cheirinho tão bom e eu...fui experimentar e gostei, entende?
- Você está mastigando a capa do sofá?! Nossa! A casa vai cair na hora em que as mamis perceberem.
- É só você não contar nada pra elas, né?
- Elas vão ver, Zoe. Você é maluca!!
- A gente esconde assim, ó... coloca as dobras da capa do sofá em cima do pequeno buraco que meus dentinhos fizeram. Tá vendo? Pronto. Escondi.
- Tô fora, Zoe. Vou sair daqui voando.
- Ah, é? E vai me deixar com toda a culpa?
- Mas, a culpa é sua. Foi você quem comeu o tecido!
- Mas, a bronca será nossa, em conjunto. Quer apostar?
As duas caem do sofá, emboladas na capa. Estão lutando. Acabou a meditação. Começa agora o estado zen sossego. Correrias, latidos, mordidas pelo focinho de uma e de outra. Esse é o estado natural do medita cão. Aum, aum...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Quando chega a aposentadoria...

No Jornal Nacional de hoje entendi o quanto é bom ser funcionário público no Brasil. A Previdência Social está com a corda no pescoço, se endivida cada ano mais. As pessoas estão vivendo mais e isso significa que estão dependendo cada vez mais da aposentadoria. O número de pessoas pagando o salário dos aposentados está diminuindo e o número de aposentados aumentando. Essa conta não está fechando.
Durante o tempo de registro em carteira, o trabalhador vê uma parte do seu salário sumir do holerite. Está lá a porcentagem que o INSS recolhe do nosso dinheirinho suado.
Enquanto eu estava frequentando uma cadeira universitária, não tinha registro em carteira e achava o salário de estagiário muito bom, eu não me preocupava com esses "detalhes".
Para ter direito a aposentadoria, o trabalhador deve cumprir o tempo de serviço e contribuição e ter a idade mínima. Com a perspectiva de vida subindo a cada resultado de IDH, possivelmente a idade mínima de hoje não será a mesma quando eu estiver querendo me aposentar.
Hoje, os homens com 60 anos e mulheres com 55 podem pedir a aposentadoria. Meu pai tem quase 60 e minha mãe passou dos 55. Mais alguns dias e meus pais serão servidores públicos aposentados. Eles continuarão recebendo o salário integral deles. Essa não é a realidade do trabalhador da iniciativa privada.
Existe um teto salarial no serviço público. Se esse servidor recebe R$ 26.700, ele se aposentará com esse mesmo salário. Já o trabalhador de uma empresa privada receberá, no máximo, R$ 3.916. Ou seja, o concursado poderá manter o padrão de vida e o outro, que trabalhou o mesmo tanto, tem a mesma idade e contribuiu na mesma proporção, deverá se virar com o que o governo permite pagar com a Previdência Social.
Em resumo: um absurdo. Quem pode, que pague uma previdência particular, ou invista o dinheiro de hoje para poder aproveitar amanhã.