sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Meu dono de estimação - Saudade animal

Faz quase uma semana que estou longe dos meus maiores amores. Viajamos, férias, e Lua Maria e Zoe Cristina também ganharam férias. Estão sob o cuidado e o carinho de um amigo muito querido, Vinicius Soriano, dono da Quinta dos Bichos. Adoro viajar mas toda vez que tenho que deixar minhas meninas é muito difícil e quando vou entregá-las a garganta aperta, tenho vontade de chorar e preciso sair logo. Caso contrário penso que poderia adiar a viagem, só pra não deixá-las e ficar um pouco mais com minhas pituquinhas.
Apegos. Eu sei, eles precisam ser saudáveis. Eles precisam ter limites. Ah, que droga! Aos quase 50 anos de vida não sei amar na medida certa.
Mas, como não me recuso a tentar, a aprender, deixei as meninas em São Paulo e recebo notícias de que elas estão muito bem, se divertem com os demais cães hospedados na Quinta dos Bichos e soube também que Zoe Cristina tem surpreendido porque, depois de latir na primeira noite, agora está brincando e interagindo com os outros animais. Outro detalhe é que Lua e Zoe, na calada da madrugada, estão cavando um túnel no quarto onde dormem. Imagino as duas conversando e Zoe insistindo para Lua cavar e cavar e cavar... Zoe garante que elas podem fazer um buraco do hotelzinho até nossa casa. Lua acredita e cava.
Aqui, em Maragogi/Alagoas tudo é sol, céu azul e mar quente. Andei encontrando uns bichos interessantes: uma gata sem dono que vive na praia e é alimentada e acariciada por uma menina que está na mesma pousada que nós. A garota passa o dia atrás da gatinha oferecendo comida e água fresca.
Vimos uns sapos enormes que aparecem depois das sete da noite e ficam à espreita, esperando a criançada sair da pisicina. Daí é a hora deles, dos sapos nativos. Salvei uma vespa que entrou voando errante no quarto, conheci uns gansos que andam pelo jardim e há uns passarinhos que dão voos rasantes no restaurante e roubam pão, batata frita e o que mais puderem carregar.
Falando em roubo, fui assaltada aqui. Por um bando. Pelo menos uns seis. Eu atravessava uma ponte, carregava dois pratinhos. Um com salgados e outro com bolo de chocolate. De repente, vejo no meio da ponte um macaquinho. Coisa linda, acho que um sagui. Ele fazia barulhinhos e olhava pra mim, com as mãozinhas meio postas. Senti uma ternura dolorida e parei.
Foi aí que houve o ataque. Uns seis macacos surgiram do nada e zapt, pegaram os salgados do prato que estava na mão esquerda e zapt, pegaram o bolo da mão direita. Não reagi, e mesmo assim ganhei uma mordida. Doeu, sangrou. Mas, acho que está tudo bem. Eu continuo viva e maluca. E creio que o macaquinho também. Rapidamente eles sumiram pela mata levando o lanchinho da tarde. Tomara que bolo de chocolate não faça mal aos saguis.
O ataque na ponte só aumentou minha saudade das meninas... Elas correm um sério perigo: vou sufocá-las de beijos e mais beijos e mais beijos. Vou cheirar as patinhas delas e pretendo passar horas fazendo carinhos e dizendo a elas que, apesar do sol, do céu azul, do mar quente, da simpatia do povo alagoano, apesar dos bichos divertidos, dos macacos danados, apesar deste lugar poder ser chamado de paraíso, aqui nunca será completo para mim sem elas...
As mamis e o irmão humano descansam, ou se cansam mais, não sei... A família se diverte mas está incompleta. Falta o pedaço do nosso coração onde dois nomes estão gravados... os nomes mais doces desta saudade: Lua Maria e Zoe Cristina. Aguardem, meninas... já estamos voltando!

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