sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Meu dono de estimação - O mais do menos

Eu amo minhas meninas. Lua Maria e Zoe Cristina definitivamente são as donas do meu coração. Chego a sentir saudade no meio da tarde quando estou no trabalho. Sinto vontade de que a noite chegue logo e eu possa sentir o cheirinho salgado das patinhas delas. Quero ouvir os resmungos, os rosnados, até mesmo os latidos que a vizinha detesta. Eu gosto. De todos os olhares, cheiros e sons. Ontem, estava deitada, já passava das onze da noite, e Lua Maria encaixada no meu colo roncava. Eu adoro quando elas suspiram... aquele suspiro comprido, profundo... em seguida, elas se espicham, se ajeitam e dormem. Felizes.
Essa é uma lição que tento aprender, diariamente, com elas. Como podem ser tão felizes?
Lua Maria e Zoe Cristina não são donas de nada material. Nem mesmo dos ossos e brinquedos que elas destróem pela casa. Não têm carros enormes, importados, muito menos modelos econômicos. Nenhuma das duas tem a escritura de uma casa ou apartamento. Elas não ligam se não tirarem férias e não forem para algum lugar paradisíaco. Todos os dias são dias de férias para as duas bambinas. Todo santo dia elas estão de bem com a vida e despertam brincando. Independente de terem brinquedos novos, independente de não serem correntistas de nenhum banco e não terem crédito na praça. Elas seguem a natureza. Dias de sol, correria e brincadeiras. Dias de chuva, brincadeiras mais amenas e muitos cochilos. Escureceu? Dormem. Amanheceu? Hora da diversão. Claro que elas encontram sempre água frequinha e ração nas vasilhas e são vacinadas e vermifugadas. Mas, se não estivessem sob os cuidados de uma família amorosa, não estariam por aí batendo patinhas atrás de comida, água e cafuné com a mesma disposição com que brincam de pega-pega pela sala? Com a mesma alegria que nos recebem assim que a porta se abre?
Mais um tempinho e chegarei aos 50 anos. Não acredito mais em "felizes para sempre". Mas, ainda busco o "feliz só por hoje". E encontro essa energia nas meninas. Elas estão sempre felizes só por hoje.
Ai, ai... tento aprender. Mas são tantas as ansiedades da vida, os questionamentos pessoais, profissionais, as buscas por melhora. São tantas as teorias, os sonhos, desejos e afins... E se eu conseguisse zerar? Passar uma borracha em tudo? Dar um delete em todos estes velhos arquivos que não me servem mais e só ocupam espaço na minha cabeça?
Certamente seria mais feliz. Só por hoje, pelo menos. Ou não. Ou vou acabar meus dias amargurada, carregando frustrações, sonhos pela metade... Credo. Cruz, credo! Não quero não. Vou é tratar de aprender logo as lições, ganhar um dez e passar para o próximo capítulo. Vamos lá: Desapego? Ok, já aprendi. Arrogância? Ok, aprendido.
E enquanto respondo às chamadas orais da vida, resolvo as questões de múltipla escolha, e tento fazer os testes da segunda fase, foco, ainda mais, meu olhar nas meninas. Se elas podem ser tão alegres e leves, eu também posso. Sou tão animal quanto elas, não sou?
Vou acabar logo esta crônica, vou para casa, jogar bolinha pelo tapete, encher as duas de mil beijos, coçar suas barrigas, orelhas, falar com elas na "língua dos anjos". E depois, colocar uma de cada lado e espiar o soninho que elas vão tirar no meu colo.
Leveza já!

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