terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os "playboys" do baseado

Ontem foi um dia normal de trabalho para mim. Cheguei cedo à TV, fiz o que tinha que fazer no período da manhã e, no começo da tarde, saí com o cinegrafista para cumprir uma pauta. Era na Vila Olímpica, em Maringá, para falar sobre os Jogos Olímpicos de 2016.
Chegando à Secretaria de Esportes, uma pessoa chega e fala que devíamos fazer uma reportagem para denunciar o tráfico de drogas no local. Eu ouço, respondo e comento a capa do jornal do dia anterior, que tinha o  mesmo enfoque, porém com outro ambiente.
Converso com a minha fonte e vamos, eu e o cinegrafista, colher imagens dos possíveis locais de treinamento de uma ou mais delegações antes e durante as Olimpíadas de 2016. Eis que em um cantinho vemos alguns rapazes suspeitos. O homem que me abordou anteriormente já havia dito que seriam consumidores e possíveis traficantes.
Fico atento a eles enquanto o cinegrafista, com a câmera virada para o lado oposto, faz as imagens. Vamos percorrendo o quarteirão e o grupo aumenta. Alguns jovens bem vestidos, com tênis de marca chegam perto do grupo. Suspeitei: universitários financiando o tráfico de drogas com o dinheiro dos pais.
Enquanto filmávamos as instalações, o grupo sumiu e voltou algumas vezes. O meu entrevistado tinha dito, também, que outras equipes de reportagem espantaram o grupo quando foram cobrir a mesma pauta. Acho que já estão acostumados com a presença da imprensa no local.
Fomos para o outro lado do quarteirão e terminamos a reportagem. Esqueci de citar, mas vimos policiais passando pelo local algumas vezes. Eram dois, com motocicletas.
Aí hoje, vendo o Boletim de Ocorrências de ontem vejo que a equipe de patrulhamento apreendeu, ontem, dois jovens. Eles estavam na Avenida Prudente de Moraes, uma das avenidas que circulam a Vila, com 31 pedras de crack.
A cidade que era sinônimo de segurança, agora, sofre com a violência e o tráfico. Praças, bosques, complexos esportivos estão tomados por usuários e traficantes. A população é refém dessa situação e vítima de uma lei que "defende" usuários. E você, mauricinho filhinho de papai, que compra seu baseado, está financiando isso. E depois fica lamentando o roubo do seu CD player em frente ao prédio.

sábado, 28 de janeiro de 2012

O trabalho eficiente da imprensa eficaz

Eram pouco mais de 21h quando William Bonner apareceu na TV no meio da novela para anunciar que um prédio havia caído no centro do Rio de Janeiro. Nesse instante, o GloboCop já sobrevoava o local e mandava imagens ao vivo.
Minutos depois, Christiane Pelajo voltou ao vivo dando novas informações sobre o desmoronamento. Nesse instante já diziam que não era apenas um prédio, mas dois.
No SBT, Carlos Nascimento entrou ao vivo no Programa do Ratinho para falar sobre o desastre. Ratinho até anunciava que a audiência estava subindo por causa das informações. Só na manhã seguinte a confirmação: três prédios haviam caído.
Os bombeiros de alguns quartéis do Rio já tinham sido deslocados para o local e a busca por sobreviventes era constante. Mais tarde, o SBT Brasil fora iniciado ao vivo do local da tragédia. A repórter comandou dois blocos do centro do Rio, só com informações sobre o desastre.
Logo mais, às 20h30, o Jornal Nacional teve ancoragem dividida. Patrícia Poeta foi até a Cinelândia e apresentava o telejornal de lá. Enquanto isso, Bonner estava na bancada e apresentava as demais notícias do dia. Mas, claro, as principais informações da edição vinham da outra apresentadora.
As buscas ainda continuam. Os portais ainda contam com espaços exclusivos para o caso. Os telejornais atualizam sempre o número de mortos. E os bombeiros já anunciaram: é praticamente improvável que ainda haja sobrevivente.
A tragédia no Rio pode provar qualquer coisa negativa sobre engenharia civil e falta de fiscalização. Mas provou que as grandes emissoras do País estão mais do que preparadas para dar qualquer notícia a qualquer hora do dia.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A relação entre pais e filhos

"Não quero lhe falar/ Meu grande amor/ Das coisas que aprendi/ Nos discos..."
É assim que começa uma das, se não a música mais famosa de Elis Regina. Com nossos pais aprendemos tudo. Se não aprendemos, pelo menos tivemos a oportunidade. Desde quando somos concebidos, o amor deles conosco é incondicional.
Hoje, assistindo ao Profissão Repórter, no Canal Futura, me deparei com um programa de 2008. O tema não perdeu a validade nesse tempo. Três casos foram mostrados. Um pai que conheceu o filho depois de três anos do nascimento deste, um casal que corria o risco de perder a guarda da filha adotiva e um casal de duas mulheres que deram à luz um casal de gêmeos.
As duas mães mostraram o perrengue que é para registrar uma criança filha de homossexuais. Mesmo tendo o DNA de uma das mães e terem sido geradas no útero da outra, ainda assim não foi permitido o registro.
O pai que conheceu o filho depois de certo tempo e não tinha contato com o garoto era quem salvaria a vida do jovem. Um dos rins do pai foi transplantado para o filho.
O caso da adoção foi mais sério. Depois de abandonar a filha na maternidade, a mãe biológica passou a acompanhar o drama dos pais adotivos para assegurar a guarda da recém-nascida. Com as fotos da criança na internet, a primeira se arrependeu da escolha e começaria a lutar para rever a guarda do bebê, que na época tinha um ano.
São histórias distintas que mostram o amor dos pais com os filhos. Quanto à mãe biológica que se arrependeu de ter abandonado a criança, prefiro que o bebê fique com os pais adotivos. Eles têm filhos de outros casamentos e que já são adultos. Uma criança nesse ambiente seria muito amada.
Não sei como foi o desenrolar dos casos. Hoje, quase quatro anos depois, tudo deve ter se resolvido. Mas, será que as mães conseguiram registrar as crianças como queriam?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Meu dono de estimação - Saudade animal

Faz quase uma semana que estou longe dos meus maiores amores. Viajamos, férias, e Lua Maria e Zoe Cristina também ganharam férias. Estão sob o cuidado e o carinho de um amigo muito querido, Vinicius Soriano, dono da Quinta dos Bichos. Adoro viajar mas toda vez que tenho que deixar minhas meninas é muito difícil e quando vou entregá-las a garganta aperta, tenho vontade de chorar e preciso sair logo. Caso contrário penso que poderia adiar a viagem, só pra não deixá-las e ficar um pouco mais com minhas pituquinhas.
Apegos. Eu sei, eles precisam ser saudáveis. Eles precisam ter limites. Ah, que droga! Aos quase 50 anos de vida não sei amar na medida certa.
Mas, como não me recuso a tentar, a aprender, deixei as meninas em São Paulo e recebo notícias de que elas estão muito bem, se divertem com os demais cães hospedados na Quinta dos Bichos e soube também que Zoe Cristina tem surpreendido porque, depois de latir na primeira noite, agora está brincando e interagindo com os outros animais. Outro detalhe é que Lua e Zoe, na calada da madrugada, estão cavando um túnel no quarto onde dormem. Imagino as duas conversando e Zoe insistindo para Lua cavar e cavar e cavar... Zoe garante que elas podem fazer um buraco do hotelzinho até nossa casa. Lua acredita e cava.
Aqui, em Maragogi/Alagoas tudo é sol, céu azul e mar quente. Andei encontrando uns bichos interessantes: uma gata sem dono que vive na praia e é alimentada e acariciada por uma menina que está na mesma pousada que nós. A garota passa o dia atrás da gatinha oferecendo comida e água fresca.
Vimos uns sapos enormes que aparecem depois das sete da noite e ficam à espreita, esperando a criançada sair da pisicina. Daí é a hora deles, dos sapos nativos. Salvei uma vespa que entrou voando errante no quarto, conheci uns gansos que andam pelo jardim e há uns passarinhos que dão voos rasantes no restaurante e roubam pão, batata frita e o que mais puderem carregar.
Falando em roubo, fui assaltada aqui. Por um bando. Pelo menos uns seis. Eu atravessava uma ponte, carregava dois pratinhos. Um com salgados e outro com bolo de chocolate. De repente, vejo no meio da ponte um macaquinho. Coisa linda, acho que um sagui. Ele fazia barulhinhos e olhava pra mim, com as mãozinhas meio postas. Senti uma ternura dolorida e parei.
Foi aí que houve o ataque. Uns seis macacos surgiram do nada e zapt, pegaram os salgados do prato que estava na mão esquerda e zapt, pegaram o bolo da mão direita. Não reagi, e mesmo assim ganhei uma mordida. Doeu, sangrou. Mas, acho que está tudo bem. Eu continuo viva e maluca. E creio que o macaquinho também. Rapidamente eles sumiram pela mata levando o lanchinho da tarde. Tomara que bolo de chocolate não faça mal aos saguis.
O ataque na ponte só aumentou minha saudade das meninas... Elas correm um sério perigo: vou sufocá-las de beijos e mais beijos e mais beijos. Vou cheirar as patinhas delas e pretendo passar horas fazendo carinhos e dizendo a elas que, apesar do sol, do céu azul, do mar quente, da simpatia do povo alagoano, apesar dos bichos divertidos, dos macacos danados, apesar deste lugar poder ser chamado de paraíso, aqui nunca será completo para mim sem elas...
As mamis e o irmão humano descansam, ou se cansam mais, não sei... A família se diverte mas está incompleta. Falta o pedaço do nosso coração onde dois nomes estão gravados... os nomes mais doces desta saudade: Lua Maria e Zoe Cristina. Aguardem, meninas... já estamos voltando!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

As faces das redes sociais

Dois casos em uma semana. As redes sociais mais uma vez provaram que são o melhor meio de comunicação entre público e produtores de conteúdos.
Luíza estava no Canadá. Já voltou e até deu entrevista no Jornal Hoje. Para quem esteve fora do ar por esse período, eu explico: Em um comercial veiculado na Paraíba, um colunista social fala que levou a família toda para apresentar o novo condomínio, "menos Luíza, que está no Canadá".
A frase virou bordão e sucesso nas redes sociais. Milhares de montagens foram feitas e publicadas no Facebook e no Twitter. Palavras relacionadas ao assunto foram as mais comentadas nos últimos dias.
O outro caso é um pouco mais sério. Depois de uma festinha, dois participantes do Big Brother foram para a cama. Os dois ficaram se "esfregando" até que a moça pegou no sono. Eis que o rapaz "simulou" sexo com a jovem.
Mais uma vez, entrou em cena a rede social. No Twitter, os espectadores sugeriam a expulsão do modelo, acusando-o de estupro. Até que depois de algumas horas, a direção da emissora acatou o pedido. Afastaram o participante e iniciaram a investigação do caso.
Ainda não houve conclusão. A última coisa que li foi que ele simulou o ato sexual para garantir audiência e mais tempo no programa.
Não deu certo. O advogado dele quer que ele volte ao reality. Não acredito nessa possibilidade. Mas o que concluo desses dois casos é que é difícil agradar a todos, mas escolher a opinião da maioria ficou bem mais fácil com Twitter e Facebook.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A casa caiu

Na verdade o que caiu não foi a casa, mas sim o navio. Mais de 4 mil passageiros a bordo e o comandante resolve fazer uma gracinha. Eis que um quarto do casco do Costa Concordia se rasga e o transatlântico tomba, ficando com 50% de sua estrutura sob a água gelada do Mar Tirreno.
Era sábado quando minha prima, surpresa, disse: esse navio é da mesma companhia pela qual viajei em 2010. Eis que, mais tarde, descobriria-se que era o próprio navio em que ela passeou pela costa brasileira. E logo a frase: nunca mais.
O acidente na Itália deu início a uma série de reportagens. Uma das que li fala sobre a possível queda nas vendas de passagens para cruzeiros. Os especialistas ouvidos dizem que é praticamente improvável que esse fato influencie nos negócios.
É como dizer que depois dos acidentes com os aviões da Gol e da Tam a venda de passagens aéreas diminuíram. Muito pelo contrário, o mercado nunca esteve tão aquecido. Os telejornais sempre mostram acidentes entre automóveis e ônibus. Sobre aviões e navios, então, são raros.
Ainda credito total confiança nos grandes meios de transporte. Me sinto muito mais seguro em um avião do que dirigindo meu próprio carro na estrada. Esse caso do Costa Concordia é algo muito isolado, causado, provavelmente, por irresponsabilidade de uma pessoa, que foi justamente uma das primeiras a abandonar o barco. Literalmente.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Meu dono de estimação - Espaço para todos

Convivendo com duas cachorrinhas como Lua Maria e Zoe Cristina tenho lições diárias de bom humor e leveza. Desde que elas vieram fazer a alegria desta família nunca mais precisei comprar livros de autoajuda. Elas me ajudam a pensar, questionar e achar as melhores respostas.
Observando Lua e Zoe, em suas brincadeiras diárias, percebi que todos os seres precisam de algum espaço, de alguma privacidade. Independente de quanto amem a convivência com seus pares, há que se respirar...
Explico. Lua Maria e Zoe Cristina são inseparáveis. Desde o momento em que acordam estão sempre interagindo, brincando de lutinhas, rosnando uma para a outra, rolando pelo tapete. Mas, em alguns instantes elas simplesmente se desligam e cada uma busca o melhor espaço para si. Lua gosta de dormir sobre os encostos dos sofás e na caminha pequena de Zoe.
Já esta gosta de se enfurnar debaixo do sofá, bem escondidinha, ou cochilar na cama grande de Lua Maria. Inclusive outro dia flagrei Zoe escondida dentro da fronha de um travesseiro. Ela se enfiou lá, dormiu, e quando Lua a encontrou estava tudo bem. Elas não começaram a discutir a relação. Ninguém cobrou nada, não houve cara feia, nem suspiros. Elas apenas começaram a brincar.
Grande lição de como a leveza deve ser buscada, exercitada...exaustivamente.
Eu adoro ficar muito perto  dos seres que amo. Busco, escrevo, telefono, insisto. Mas, muitas vezes, por exageros pessoais, carências diversas e excessos de zelo errei feio na medida. Coloquei atenção demais e o bolo desandou.
Hoje faço bolos bem gostosos e bonitos usando ingredientes exatos. E funciona. Espaço para todos. Inclusive para mim. E quero espaço para quê? Para ler, meditar, rezar, escrever, pensar simplesmente. Durante um tempo me afastei da arte do silêncio e as palavras me deixaram exausta. Com minhas meninas, tenho aprendido que o silêncio é de ouro. Afinal, a linguagem delas é outra. É a linguagem do amor, da sinceridade. Um rabinho balançando nunca terá duplo sentido, é alegria na certa. Rosnou, mostrou os dentes? Melhor não abusar. Tudo fácil. Simples.

Neste final de tarde, Lua dorme e Zoe foca os olhinhos de jaboticaba na TV. Tudo está em paz. Todos têm espaço. E cada vez a vida é mais simples, mais tranquila. Amém!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A matéria-prima errada

Como uma revista, nosso blog sempre passa por diferentes assuntos. No impresso chamamos de editorias. Ontem começou o Big Brother Brasil 12. Pronto, já fiz o comentário sobre esse assunto. Vamos ao que interessa, de fato.
Um tema, para ganhar capa de revistas e espaço em grandes telejornais precisa ser muito relevante. O que temos acompanhado de alguns dias para cá sobre próteses de silicone é, realmente, caso de polícia.
Duas marcas do produto foram proibidas de ser comercializadas no Brasil e em outros países. Uma holandesa e outra francesa. O motivo: utilizavam silicone industrial para próteses mamárias. Em caso de rompimento, as complicações podem ser muito sérias.
Alguns problemas do tipo já foram levantados. Mulheres que receberam silicone das marcas em questão receberão a cirurgia de substituição gratuitamente do governo brasileiro. Um problema centralizado, com falta de vigilância, que vai onerar o Estado.
Concordo que o governo deve prezar pela saúde de sua população que tanto paga impostos. E ninguém deve pagar pela falha na falta de investigação antes de liberar a importação de um produto. Depois que a "bomba" explodiu na Europa, aí sim as autoridades nacionais resolveram investigar.
Lembrando que o Brasil é um dos líderes em cirurgias plásticas e uma das operações mais realizadas é justamente a de colocação de prótese de silicone. Ao todo, 20 mil mulheres devem fazer a substituição. E a investigação ainda não acabou. Talvez outras marcas entrem na dança. Vamos esperar.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O destino foi cruel

Era para ser uma noite tranquila de final de ano para duas famílias. Em um dos carros, o comerciante Landerson e, no outro, Carlos Fiore. O primeiro acompanhado da esposa, da filha e da sobrinha. Dois delitos e um acidente.
Landerson, na pressa de chegar em casa, furou o sinal vermelho em um cruzamento e seu carro foi atingido em cheio por Fiore, que vinha rápido pela via. Mas, o sinal estava aberto para o segundo que, por uma obra do destino, se chocou com o carro do comerciante.
A polícia prendeu Fiore em flagrante por duplo homicídio doloso, já que a esposa de Landerson, grávida, foi arremessada para fora do carro e morreu. E junto com ela, o bebê que ela esperava. Fiore foi analisado pelos policiais que constataram a embriaguez e, posteriormente, o uso de cocaína.
Talvez, se Landerson não tivesse furado o sinal, os dois chegassem bem em casa. Isso é apenas uma hipótese. Porque dirigir embriagado é crime e pode gerar consequências irreversíveis, como foi o caso deste acidente.
A defesa de Landerson alega que perder filho e mulher é maior do que qualquer pena que o juiz pode aplicar. Mas furar o sinal e matar é homicídio culposo. Tudo bem que ele não tinha intenção de matar ninguém, mas aconteceu.
Um irresponsável cruzou a frente do outro. O destino os colocou na mesma rota e o final foi trágico. Espero que ambos paguem pelo que cometeram. A irresponsabilidade no trânsito mata. Dirigir não é brincadeira. Não é só arma de fogo que mata. Carro também.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Meu dono de estimação - O mais do menos

Eu amo minhas meninas. Lua Maria e Zoe Cristina definitivamente são as donas do meu coração. Chego a sentir saudade no meio da tarde quando estou no trabalho. Sinto vontade de que a noite chegue logo e eu possa sentir o cheirinho salgado das patinhas delas. Quero ouvir os resmungos, os rosnados, até mesmo os latidos que a vizinha detesta. Eu gosto. De todos os olhares, cheiros e sons. Ontem, estava deitada, já passava das onze da noite, e Lua Maria encaixada no meu colo roncava. Eu adoro quando elas suspiram... aquele suspiro comprido, profundo... em seguida, elas se espicham, se ajeitam e dormem. Felizes.
Essa é uma lição que tento aprender, diariamente, com elas. Como podem ser tão felizes?
Lua Maria e Zoe Cristina não são donas de nada material. Nem mesmo dos ossos e brinquedos que elas destróem pela casa. Não têm carros enormes, importados, muito menos modelos econômicos. Nenhuma das duas tem a escritura de uma casa ou apartamento. Elas não ligam se não tirarem férias e não forem para algum lugar paradisíaco. Todos os dias são dias de férias para as duas bambinas. Todo santo dia elas estão de bem com a vida e despertam brincando. Independente de terem brinquedos novos, independente de não serem correntistas de nenhum banco e não terem crédito na praça. Elas seguem a natureza. Dias de sol, correria e brincadeiras. Dias de chuva, brincadeiras mais amenas e muitos cochilos. Escureceu? Dormem. Amanheceu? Hora da diversão. Claro que elas encontram sempre água frequinha e ração nas vasilhas e são vacinadas e vermifugadas. Mas, se não estivessem sob os cuidados de uma família amorosa, não estariam por aí batendo patinhas atrás de comida, água e cafuné com a mesma disposição com que brincam de pega-pega pela sala? Com a mesma alegria que nos recebem assim que a porta se abre?
Mais um tempinho e chegarei aos 50 anos. Não acredito mais em "felizes para sempre". Mas, ainda busco o "feliz só por hoje". E encontro essa energia nas meninas. Elas estão sempre felizes só por hoje.
Ai, ai... tento aprender. Mas são tantas as ansiedades da vida, os questionamentos pessoais, profissionais, as buscas por melhora. São tantas as teorias, os sonhos, desejos e afins... E se eu conseguisse zerar? Passar uma borracha em tudo? Dar um delete em todos estes velhos arquivos que não me servem mais e só ocupam espaço na minha cabeça?
Certamente seria mais feliz. Só por hoje, pelo menos. Ou não. Ou vou acabar meus dias amargurada, carregando frustrações, sonhos pela metade... Credo. Cruz, credo! Não quero não. Vou é tratar de aprender logo as lições, ganhar um dez e passar para o próximo capítulo. Vamos lá: Desapego? Ok, já aprendi. Arrogância? Ok, aprendido.
E enquanto respondo às chamadas orais da vida, resolvo as questões de múltipla escolha, e tento fazer os testes da segunda fase, foco, ainda mais, meu olhar nas meninas. Se elas podem ser tão alegres e leves, eu também posso. Sou tão animal quanto elas, não sou?
Vou acabar logo esta crônica, vou para casa, jogar bolinha pelo tapete, encher as duas de mil beijos, coçar suas barrigas, orelhas, falar com elas na "língua dos anjos". E depois, colocar uma de cada lado e espiar o soninho que elas vão tirar no meu colo.
Leveza já!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Estaciona meu carro, por favor?

Nunca deixei meu carro nas mãos de manobristas, não por desconfiar dos trabalhadores, mas por falta de oportunidade. E foi essa classe que os jornalistas do Jornal Hoje foram "cutucar". Com o carro cheio de armadilhas, alguns maus exemplos de profissionais foram pegos.
A série de reportagens "Câmera do JH" começou nesta quarta-feira, dia 4, e mostrou como alguns manobristas violam as regras e a ética da profissão. Dinheiro e comida foram furtados do carro da produção.
No console central, foi deixado um pacote com 30 reais em moedas. 12 desses foram parar no bolso de um homem que foi estacionar o carro para o produtor.
Outro, até chega a desconfiar que esteja sendo gravado. Um outro afirma: "é carro de reportagem". É mesmo e os jornalistas ainda não terminaram o serviço. Eles ainda vão rodar o mês inteiro para nos mostrarem os absurdos cometidos por quem deveria cuidar do nosso bem.
Não foi a maioria. Menos da metade dos manobristas que foram "testados" cometeu algum delito. O que prova que as frutas podres é que estragam o pomar. A reportagem trata da classe e alguns deturpam a imagem da categoria. A série exibida no País todo prejudica a imagem desses trabalhadores.
O rosto dos manobristas que fizeram algo de errado não foi desfocado. Eles aparecem e alguns até dão entrevista, tentando desmentir o que as imagens mostram. O que foi mostrado nesses dois dias foram furtos, estacionar o carro na rua em vez de um estacionamento fechado, caronas no carro do cliente e rachas.
O que o JH está fazendo serve de alerta para que tenhamos cuidado na hora de entregar a chave do carro na mão de uma outra pessoa. Por mais credibilidade que ela transpareça, é sempre melhor prevenir.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

E começa tudo de novo

Ao ler o título do post de hoje, você pode ter pensado que o texto não seria otimista. Não vou tirar sua razão. Esta é a primeira postagem do ano. Você lembra com foi seu Réveillon do ano passado? Eu lembro. Mas a minha família consegue melhorar a cada ano.
O start foi pressionado e o jogo começou novamente. Alguns podem dizer que o botão que apertaram foi o reset e que tudo está começando do zero. Eu acho que apenas uma nova fase se inicia. Mas algumas coisas são tão parecidas com outras do ano anterior. Acompanhe...
Há alguns anos, acompanhamos o drama dos catarinenses com os deslisamentos de terra depois das chuvas, em novembro. Em janeiro passado, Rio de Janeiro e Paraná foram as vítimas. Para o Rio, a verba foi maior e mal administrada. Prefeito e vice de Friburgo foram afastados por desviar a verba que deveria reconstruir a cidade serrana. A corrupção atrasando a vida dos moradores.
Este ano novo começou com dramas parecidos para outra região. Desta vez, os mineiros é que estão sofrendo. Lá, os morros não desabaram, algumas casas caíram, mas o que assustou a população foi o alagamento.
Será que 2013 será assim também?
Espero que não. E para fechar esse primeiro texto do ano, desejo a você, leitor do Macacos Novos, um Ano Novo repleto de realizações, saúde e felicidade. Como diria Pedro Bial há alguns anos: "saúde e paz, o resto a gente corre atrás". E corremos mesmo, porque nada cai do céu, só chuva e cocô de passarinho. (engraçadinho hehe)