quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Meu dono de estimação - Noite de lua cheia

MINHA VERSÃO:
Eram duas e vinte da manhã quando acordei com uma luminosidade linda no quarto. Tínhamos deixado a janela aberta porque fazia muito calor e naquele instante havia uma lua super cheia no céu. Ela havia entrado e dominado todo o quarto com sua luz. Lindo!
Nem tive coragem de fechar a janela. Ajeitei o travesseiro, segurei a mão de meu amor, e suspirei feliz da vida: ah, que bom... voltar a dormir, lua cheia lá fora, quarto fresquinho, as meninas dormindo...
Dormindo? Mais ou menos. Assim que fechei os olhos ouvi os rosnados de Zoe Cristina. Ela havia acordado também com a luz da lua e pelo visto estava incomodada. Talvez com a luminosidade no quarto ou simplesmente queria fazer xixi? Disfarcei, tentei não dar atenção embora ela andasse pela cama resmugando.
Zoe não sossegou. Por mais sono que eu sentisse me forcei a levantar para abrir a porta do corredor. Os jornais das meninas ficam na área de serviço e como Lua Maria gosta de esquecer o caminho certo e vez ou outra, de madrugada, fazer xixi atrás do sofá na sala, mantemos a porta do corredor fechada à noite.
Levantei, Lua Maria também acordou e me seguiu. Fiquei no meu lugar de sempre: no corredor, segurando a porta. As garotas foram ao jornal, ouvi seus barulhinhos e Lua Maria voltou rápido, com cara de sono, correndo para o quarto. Dona Zoe, nada de voltar. Ai, ai, ai... ela sempre apronta dessas.
Fui para a sala que também estava cheia da luz da lua e vi Zoe Cristina correndo de um sofá para o outro, feliz da vida.
"Zoe, aqui, vem já pra cá." Ela parou de correr. Olhou pra mim e virou a cabeça para a direita, como sempre faz quando tem alguma dúvida.
"Vem Zoe, tô com sono, hora de nana..." E ela nada. Ficou ali, no meio da sala, paradinha. Ora olhando pra mim, ora olhando pra lua lá fora. Fui em direção a ela decidida. Pegaria no colo aqueles três quilos de pura travessura. Mas quando estava bem perto, Zoe disparou. Saiu correndo e entrou embaixo da mesa de jantar.
"Ah, não Zoe... agora não é hora de brincar. Vem aqui!" Claro que ela não me obedeceu e saiu correndo em direção à cozinha. Eu atrás, tentando pegá-la, descalsa, de pijama, sono, cabelo em pé. "Zoe, eu vou te matar!" E ela corria, animada, pela sala e pela cozinha, se enfiando embaixo da mesa e embaixo da pia, se escondendo de mim.
Foi quando me dei conta: o que é que eu estou fazendo às duas e meia da manhã correndo atrás de uma cachorrinha? Tenho que ser mais forte e mais inteligente que ela, não tenho? Quem manda nessa casa, afinal?
Fui até a cozinha, ela estava embaixo do armário da pia, bem encolhidinha lá. "Chega de brincar de pega-pega e esconde-esconde, dona Zoe Cristina. Já pra cama!". Peguei-a na marra, puxando-a pelas patinhas e ela tentando me morder.
Cama! Porta fechada. Lua Maria dormindo perto de meu amor. Zoe ainda bufando e rosnando e agora correndo pela cama toda, fazendo de nós, seres deitados, uns obstáculos para ela pular. Que agitação! Foi então que desisti da luz da lua cheia, fechei as janelas e como o quarto ficou bem escuro Zoe foi se acalmando e, finalmente, dormiu. Ufa!!
VERSÃO DE ZOE CRISTINA:
Eu estava dormindo quando a pateta de uma das minhas mamis acordou. Ela se mexeu na cama, sentou, e ficou olhando pela janela a lua lá fora, e eu despertei. Ela tinha que me acordar? Puxa vida, tenho o sono leve e depois é difícil voltar a dormir. Fiquei invocada, viu? Mas, daí notei que realmente a lua estava linda, bem gordinha, e o quarto estava claro, como se o dia já estivesse nascendo e fosse mesmo hora de acordar e brincar! Então, já tinha mesmo acordado, quis brincar, claro. Passeia daqui e dali e nada da mami me dar atenção. Eu sabia que a saída era fazer com que ela acreditasse que eu queria fazer xixi. Hahaha, ela dorme com a consciência pesada porque fecha a porta. Tolinha, não sabe ela que tenho um absoluto controle sobre meu xixi. Deixo ela acreditar que estou sofrendo e pioro a situação dando uns gemidos, uns rosnados. Ela não resiste. Levantou, abriu a porta e ficou ali no corredor. Minha irmã, Lua Maria, realmente foi usar os jornais e voltou pra cama. Mas, eu queria correr e brincar. Uma lua cheia linda daquelas no céu e eu ia dormir? nem pensar! Demorou pra mami pateta entender que ela tinha que ficar correndo atrás de mim, que a brincadeira era essa. Até que ela entendeu e eu me esbaldei. Ela diz que corre no parque e no clube mas eu corro muito mais. Sou veloz, ágil. Dei uns bons "olés" na mami que ficava me chamando pra "nana"...olha que coisa mais infantil pra ela falar pra mim? Patético. E ela só me pegou quando eu deixei que pegasse. Não sem antes dar-lhe umas mordidas nos dedos das mãos. Voltamos para o quarto e ela acablou com minha animação desligando a luz da lua. Chatinha minha mami pateta. Dormi.
VERSÃO DE LUA MARIA:
Ai, que soninho... Estava sonhando com um pacote de ossinhos quando vi a mami olhando a lua cheia. Pensei comigo: "Xi, ela vai acordar a Zoe e daí acabou o sossego..." Dito e feito. Fechei bem os olhos, fingi que dormia profundamente, enquanto Zoe ia pra lá e pra cá e, falsinha, dava uns chorinhos como se quisesse fazer xixi. Ela e a mami ficaram nessa novela durante uns minutos até Zoe vencer. "Por que é assim, hein? Ela sempre ganha esses embates..." Mami levantou, abriu a porta e eu aproveitei para usar os jornais já que tinha acordado mesmo. Vi que a sala estava tão iluminada quanto o quarto pela luaz da lua cheia. Achei bem legal mas tinha sono e a outra mami estava dormindo, quentinha. Voltei, me ajeitei perto dela e mesmo com a claridade da luz da lua eu comecei a dormir. Queria voltar para o meu sonho com um pacote de ossinhos. Ouvi lá de longe a mami pateta chamando a Zoe, a correria delas pela sala e cozinha... Dei risada. Zoe só apronta. Até que elas voltaram para o quarto, a janela foi fechada, ainda bem, e todos pudemos dormir em paz.
VERSÃO DA LUA CHEIA:
Eu estava ali no céu, grávida, linda, quando percebi que uma cachorrinha, bem pequena, sentiu os efeitos da minha magia. Minha luz falou aos ancestrais de lobo que ela ainda tem. A cachorrinha acordou e ficou me olhando. Coitada, ela não sabe uivar. Seus antepassados quando me viam assim, tão grande, tão cheia, uivavam sem parar. Mas essa pequena apenas me olhava e virava a cabecinha de um lado para o outro. Ela se agitou, acordou quem dormia naquele quarto, e depois percebi que ela corria muito feliz em outro cômodo do apartamento. Mandei mais luz para a cachorrinha. Energia. Até que alguém a pegou e deu fim na brincadeira. Que pena, fecharam a janela. Voltei para meu cochilo de lua cheia. Mas, à noite tem mais. Vou procurar essa cachorrinha danada e deixá-la ainda mais agitada do que ela é. Vai ser engraçado vê-la correndo pela casa. Pode deixar, vou caprichar. Palavra de lua cheia!
VERSÃO DA OUTRA MAMI:
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