quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Meu dono de estimação - Andar ou não andar, eis a questão!

Hoje não estou boa, não. É melhor me deixar quieta, no meu canto. Caso contrário, posso dar uma boa mordida em quem não respeitar o aviso de que hoje não quero graça. Lua Maria já saiu zunindo de perto de mim. Foi bater patas e papo com nossa amiga, Fiona. Lua também não amanheceu bem. É que soubemos que nosso primo, Billy, o salsicha que vive na casa dos pais de uma de nossas mamis, talvez não volte a andar...
Há 3 meses ele passou por uma cirurgia delicada na coluna depois que, da noite para o dia, ficou com as patinhas de trás paralisadas. A cirurgia foi feita com os melhores e no melhor lugar, mas... a vida às vezes é caprichosa. Billy está forte, saudável, come e dorme bem, mas ainda não consegue se manter em pé e muito menos andar. Ele não parece nenhum pouco infeliz. Ele se arrasta pela casa toda, atrás de bolinhas e guloseimas. Mas, a gente sabe que a mãe da nossa mami está muito triste com a notícia de que Billy talvez fique assim para sempre.
Segundo o veterinário que fez a cirurgia, Billy já poderia ter mostrado uma resposta melhor, mantendo-se em pé, recuperando os movimentos. E essa demora pode significar que o quadro dele não venha a mudar muito mais. Com 3 sessões de fisioterapia por semana e exercícios diários que os pais de minha mami fazem no pequeno Billy, ele ganhou força muscular e isso é bom para evitar novas lesões. Billy, assim com vários outros salsichas, tem uma predisposição genética para essas lesões na coluna. Tadinho do meu primo... Antes da cirurgia, ele corria como um maluco pela casa. Agora, passa muito tempo no sofá, no colo, ou brincando de ser foquinha.
As sessões de fisioterapia vão continuar. Os pais de minha mami amam Billy de paixão e ele recebe muito amor, muitos dengos. Quem sabe, né? Dizem que para Deus nada é impossível, então fazer um cachorro tão pequeno andar não deve ser nenhum milagre especial.
Aqui em casa estamos rezando. Eu sei que não tenho cara de quem reza muito, né? Pareço um pouco brava, eu sei... Mas, mesmo rosnando, mostrando os dentes, e cravando meus caninos na perna da minha mami, eu rezo sim. É que rezo por dentro, sem um texto decorado. Rezo com minha intuição que me faz acordar, todos os dias, achando que a vida é boa, que as pessoas valem a pena, e que amanhã vai ser ainda melhor.
É só hoje que quero ficar quietinha... pensando no Billy... na minha avó com aqueles olhos azuis que vez ou outra escorrem de pena de todos os animais que sofrem.
Enquanto Lua Maria conta pra Fiona sobre nosso primo, eu aqui estou pensando num jeito de fazer minha vovó entender que se o Billy não andar mais não tem problema, que ele está bem, que ele não pensa como ser humano, e nem se lembra das patinhas paralisadas. Quero que ela pense que o Billy é um lindo anjo pretinho e que anjos não precisam de pernas. Eles têm asas, eles podem voar...

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