quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Meu dono de estimação - Vizinha carola: reza de um lado, xinga de outro

Sabe quando acontece alguma coisa e você conta até mil, respira, enche a boca de água, vai tomar um banho frio, soca a parede, senta na posição de lótus no meio da sala, respira mais um pouco, entope a boca com mais água e volta a contar até mil?
Pois eu tenho feito isso cada vez que ouço a voz, simpática e nada irritante, da senhora nossa vizinha de andar.
Eu não tinha nada contra ela. Parecia uma vizinha bem típica, dessas que a gente se obriga a dar bom dia e boa noite mas nem sabe a cor dos olhos. Quando nos mudamos para lá, ela foi até gentil: ofereceu flores. Eu dei minha parcela de contribuição à boa convivência entre vizinhos segurando a porta do elevador algumas vezes e esboçando um sorriso e meio entre o térreo e o décimo quarto andar.
Mas a senhora dona vizinha extrapolou. Não tiro a razão dela quando reclamou que as cachorras estava latindo à noite. Depois das dez da noite, realmente ninguém pode deixar os cachorros latindo e após a última reclamação da fofa da vizinha, que foi feita com aquele tom entre o extremamente irritado e o "estou me segurando pra não te bater", sabe? Aquele tom bem falso, de pessoa calma, e educada que ela tenta ser, nós tomamos as devidas providências. Durante o dia, Lua Maria e Zoe Cristina são "toureadas" com um jornal bem enrolado e barulhento, o que as impede de avançar nos latidos. À noite, inclusive, estamos sem sair. Evitamos deixá-las sozinhas e aguardamos a chegada de uma porta que vai mantê-las na cozinha. Assim, elas não vão latir na sala e "atrapalhar" os pensamentos preciosos que a dona vizinha tem enquanto aguarda o elevador. Até a coleira que emite um ruído desagradável a Zoe ganhou. O que não deu em nada porque ela pouco se importa com o ruído desagradável que a coleira promete fazer e late com gosto. Quando mais a coleira apita, mais Zoe late.
Tenho cá pra mim que podemos tomar ainda outras medidas para impedir que as cachorras fiquem latindo mas...
Tem detalhes dessa, que deveria ser uma boa convivência entre vizinhos e não é, que não dependem de nós. Nem das cachorras.
Por exemplo:
A senhora dona vizinha, e os dois filhos adultos, educados por ela evidentemente, não sabem "fechar" gentilmente uma porta. Todas as vezes que eles saem, seja pela porta social ou da cozinha, eles "socam" literalmente as portas. Fazem um barulho que incomoda. A mim e às cachorras. E elas latem. Creio que nesse caso, qualquer cachorro latiria. Até eu tenho vontade de latir. Afinal, está tudo calmo, em paz, e de repente um BAM na porta, que estremece a parede da sala... Passado o susto, fico curiosa e já pensei até em chamar um chaveiro, pra ele dar uma olhada nas portas da vizinha, e saber se o problema está nas fechaduras, nas maçanetas, ou no cérebro dessas três pessoas que se acham tão civilizadas, tão educadas e gentis... E se assim são, mãe e filhos, por que eles não conseguem apenas fechar a porta? Por que saem de casa, ou chegam, sempre com tanta raiva e socam, batem as portas? Coisa estranha, gente esquisita...
Mas, o que me faz querer morrer e reencarnar monge zen budista é o fato de que a senhora simpática vizinha sempre que sai e mete a mão na porta, se coloca no "direito" de ficar no hall do elevador, que apenas metade é dela porque a outra metade não é, mandando que as minhas meninas "calem a boca"...
Pois é... a doce velhinha, enquanto aguarda o elevador, fica gritando frases como: "Cala a boca!"... "Fica quieta!" e "Essas cachorras só enchem o %$@#%&... Piiiiii.... sinal sonoro que suprime a palavra de baixo calão da senhora dona educada vizinha...
Não é uma fofa? Não é um amor?
Nessas horas, eu realmente tenho que apelar a todos os santos, pedir para que meu anjo da guarda me segure, enfim... Porque minha vontade é abrir a porta e dizer a ela que:
Se ela continuar a bater a porta como vem fazendo, além de causar rachaduras pelas paredes do hall ou dos apartamentos, ela vai continuar a ouvir latidos... Por que, os cães reagem assim, latem diante de barulhos assustadores e o que eles fazem nas portas é, simplesmente, assustador.
A santa família parece que vive nos tempos dos Flinstones, usando a força do BamBam para fechar uma porta simples, de madeira. Ou será que o apartamento da vizinha é de pedra e eu nunca notei?
Também tenho vontade de sugerir a ela que ela se olhe no espelho e mande a si mesma "calar a boca e ficar quieta...". Quem lhe deu liberdade, direito e intimidade para que ela se refira desse modo, desrespeitoso, às nossas cachorras? Sim, Lua e Zoe são cachorras, mas são da família, são como filhas... e eu aprendi com minha mãe que filhos a gente defende com unhas e dentes, feito leoa ferida e muito brava.
Por fim, gostaria de dizer à dona vizinha que Lua e Zoe não enchem o Piiiiii, de ninguém. Ao contrário. Elas são grande parcela da alegria e da harmonia da casa. Elas são seres bem mais evoluídos e gentis que a senhora do apartamento ao lado, e elas não socam portas, não gritam no hall, e não se portam de modo deselegante. Cachorras sim...Mas, bem mais inteligentes e queridas que algumas pessoas que ficam nessa zona negativa de energia como fica a vizinha cricri.
Quem sabe se ela, e os filhos fofinhos, parassem de socar as portas, Lua e Zoe parassem de latir, hein?
Quem sabe se ela saisse em silêncio no hall e parasse de gritar "cala a boca" diante da porta da NOSSA casa, as cachorras nem notassem a presença dessa pessoa tão legal e por quem tento nutrir sentimentos positivos?
Quem sabe se ela parasse de mandar energia ruim, nem as cachorras e nem eu notássemos que temos vizinhos, né?
Seria ótimo! Muito bom para todos. Eu e minhas meninas nos esqueceríamos dela e ela não ouviria latidos.
Bem, enquanto a vizinha pseudo educada e seus filhos pseudo elegantes não evoluem, por via das dúvidas, tenho pedido que um anjo bem fortão, sarado e poderoso, fique ali na porta de casa, protegendo Lua e Zoe e protegendo nossa família. A vizinha reza bem, adora promover novenas no condomínio...que lindo, amém! E quem sabe eu apareça em alguma dessas novenas e leve para a vizinha a oração de São Francisco... e conte a ela sobre a vida do homem santo que amava os animais...
Eu não compreendo certas coisas... vizinhas beatas, carolas, que rezam e xingam animais... padres que dizem que não gostam de gatos porque eles são "traiçoeiros"... Esse povo está maluco ou é assim mesmo? Reza de um lado e apedreja de outro?
Sei não... Está faltando alguma peça nesse quebra cabeça. E tenho a leve impressão de que essa peça se chama "amor".

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