quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Meu dono de estimação - Passo a passo

Diz a sabedoria popular que só valorizamos algo diante da possibilidade de uma perda. Senti isso na pele recentemente. Os ventos mudaram, trouxeram uma tempestade com raios e trovoadas e minha vida virou do avesso. Passei vários dias perdida, lamentando, até conseguir forças para me reorganizar, levantar, e ir à luta. Avaliei os estragos, toda a louça quebrada. Varri, peguei o lixo e botei pra fora o que não me servia mais. Comportamentos desgastantes e desgastados, modelos de atitudes que implodiram.
Ninguém volta a ser o mesmo depois de um forte estresse. Eu quero ser melhor. Quero me sentir melhor e oferecer o melhor para as pessoas com as quais convivo.
Estou tentando.
Nos dias de tormenta senti falta de coisas bem básicas, como o cheiro do lençol, o perfume do meu amor, o aroma do café  de manhãzinha. Sentia falta de um som de criança pela casa, os passos pequenos, as risadinhas... E senti muita falta de abraçar, de coçar a barriga, de cheirar as patas e domir junto com minhas meninas, Lua Maria e Zoe Cristina. Os lambidos que as duas me dão quando acordo são imperdíveis. As corridas delas pela cama, o pega-pega que elas fazem pela sala, os latidos, aquela cara de quem sabe se divertir com tão pouco... Senti muita falta de estar ali, naquele núcleo familiar, de ter um lugar ao sol dividido com Zoe e Lua.
Agora que o céu voltou a se abrir, as nuvens pesadas já vão distantes e parou de chover... penso que é hora de render graças por tudo que eu tinha mas que, diante de dores pessoais que precisavam ser curadas, não estavam recebendo o devido valor.
Agora é hora de reconhecer como é preciosa a paz e como ela deve ser cultivada a todos os instantes. Hora de "vigiar e orar".
Tudo vai voltar ao que era antes? De jeito nenhum... As relações como vinham sendo conduzidas explodiram. Precisamos de novos modelos, novos caminhos e mais acertos para construir o desenho perfeito do que é uma relação familiar, de amor, de amizade, de cumplicidade.
Vai fazer sol todo dia? Não vai não... Mas o sol tem que brilhar na maior parte do tempo e quando for chover temos que nos proteger, cuidando para que as mágoas sejam vencidas.
Hoje podemos brincar novamente de fazer uma foto da "família completa".
Hoje, ela está muito mais próxima de ser, de verdade, uma família completa e isso implica em existir o lugar de cada um, individualmente, mas também de existir um lugar coletivo onde só o amor tem vez.
Estamos tentando. Empenhados. Os adultos ouvindo e falando mais. O pequeno aprendendo que todo dia é dia de perdoar e acertar. E as meninas, Lua e Zoe, dando shows de ensinamentos diários e básicos de como viver bem, de forma leve, brincando mais, dormindo mais, vivendo um dia de cada vez.
E hoje é dia de... viver bem, viver em paz!
Passo a passo...

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