quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Meu dono de estimação - Amor secreto

Vou fazer uma confissão: eu dormi com outro.
Assumo, e nem estou sob tortura. Faço essa confissão por livre e espontânea vontade.
Dormi. E gostei.
Simplesmente, aconteceu. Eu já o conhecia de longa data mas não tinha experimentando, ainda, uma aproximação. Não sabia o quanto ele poderia ser carinhoso e envolvente. Pela primeira impressão, o que percebemos de cara é a força que ele tem. Músculos à vista, dentes fortes e lindos, um andar de quem conhece muito bem e preserva seu lugar no mundo. Ele transmite segurança, ele se impõe em qualquer ambiente. Impossível não notá-lo, difícil esquecê-lo. Especialmente depois que ele baixa aqueles olhos cor de mel nos olhos da gente. Daí a força, antes até bruta, se transforma em doçura líquida, pura, quente. Olhos de menino carente, olhos de quem pede amor e garante que sabe amar. E como sabe!
Não foi nada planejado. A surpresa me pegou num vento nordeste. Eu não esperava por aquele encontro e muito menos por aquela noite em seus braços. Mas, não pude escapar. Estava fragilizada, sentia frio na alma, solidão... E ele me deu toda a atenção do mundo. Pude falar durante horas e ele nem se mexeu. Ficou ali, todo atento, ouvindo cada palavra, me consolando com sua presença marcante. Depois que falei e chorei tudo que podia, ele me encheu de beijos. Beijos molhados. Nos abraçamos e ele me colocou pra dormir. Abraçada a ele senti uma pontinha de alívio numa das piores noites da minha vida. Apesar de toda a tristeza que me envolvia, ele estava ali: Pompom, o lindo pitbull, com quem eu dormi.
Tudo bem que ele roncou um pouco e, no meio da noite, tomou quase toda a cama. Tudo bem que acordei algumas vezes com o peso de seus 40 quilos sobre mim. Tudo bem que ele desceu da cama algumas vezes pra tomar água e voltou com o focinho molhado. Sua companhia foi decisiva pra que eu não ficasse, ainda mais, desesperada.
Eu pensei muito em vocês naquela noite, abraçada a Pompom. Eu sei que nós já dormimos juntas muitas vezes e que vocês devem estar sentindo ciúmes. Mas tentem entender... eu estava muito sozinha. Vocês estavam tão distantes, inacessíveis...
Não pensem que isso vai virar um hábito. Pompom tem outros amores e eu tenho vocês. Foi uma noite apenas. Uma noite com um pitbull. E para quem tem preconceito sobre essa raça, eu posso dizer que Pompom é o mais doce de todos os cachorros que já conheci. Ele é como um bebezão, um menino que cresceu e engordou um bocadinho a mais. Pompom é dono de uma ternura infinita. Sensível, amigo, presente.
Não fiquem tristes meninas... Vocês duas, Lua Maria e Zoe Cristina, ainda são as donas de meu coração. Mas, sou um ser múltiplo e posso amar a muitos sem deixar ninguém de lado. Afinal, o amor nos liberta, nos renova e nos fortalece. E depois daquela noite entre as patas de Pompom, se eu sobrevivi, é porque a tristeza não pode ser mais forte que eu. É porque a desesperança tem que ser combatida a mordidas violentas. É porque posso parecer "fraquinha", magra demais, tola demais... mas, no fundo, tenho uma alma de pitbull. E, aconteça o que acontecer, eu não vou desistir.

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