quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Meu dono de estimação - Dúvida cruel

Zoe Cristina está perto de fazer um ano. Todo mundo diz que os cachorros, especialmente esses pequeninos, quando completam um ano param de comer a casa e destruir os brinquedos. Sendo assim, tentarei manter a esperança.
Desde que chegou em casa, tremendo de medo, com carinha de cão sem dono, Zoe Cristina já destruiu almofadas, edredons, alças de bolsas, uns dez chinelos, muitas plantas, os brinquedos que ganhou, os brinquedos que conseguiu roubar do quarto do irmão humano, e deixou a marca de seu apetite voraz em todos os cantos dos sofás da sala.
Os sofás estão destruídos. Uma mordida aqui, uma mordida ali, e ela, sempre que pode, faz questão de aumentar os rasgos. Já chamamos um tapeceiro que tapou o pior deles.
Tudo bem serei justa. Não foi Zoe quem começou a fazer o tal rasgo no assento. Foi a Lua Maria quando era filhote. Mas depois que Lua cresceu o sofá deixou de ser interessante, ou apetitoso, para ela. Porém, Zoe quando descobriu o buraco no sofá de três lugares foi alargando os limites, cavando, como se o objetivo fosse fazer um túnel pra fugir de casa, literalmente, através do sofá.
Buraco tapado, capas feitas pelo tapeceiro para esconder as mordidas, a família ganhou sofás seminovos. Que bom! Podemos sentar, receber visitas, ouvir música na sala, ler um livro com as pernas esticadas.
A boa nova não durou muito tempo. No último sábado saimos na parte da manhã para resolver aquelas questões que a semana corrida não oferece tempo de resolver. Quando voltamos, umas três horas depois, surpresa!! Havia espuma rasgada espalhada pela sala. Zoe Cristina havia se superado. Ela virou um dos encostos do sofá, pelejou até que conseguiu abrir o zíper!! Sim, pasmem! Ela não quebrou o zíper. O início dele estava bem babado, demonstrando que ela ficou ali, com paciência, até conseguir puxar o zíper com a boca. Zíper aberto, começou a diversão. Ela tirou, a bocadas, pedaços da espuma e, imagino, fez um carnaval pela sala, pulando, jogando para o alto, sapateando nos pedaços de espuma mordida e molhada.
Quando abrimos a porta da sala, deu vontade de chorar! Não só pela certeza de que daria trabalho arrumar aquela bagunça, recolhendo os pedaços maiores de espuma e passando o aspirador pelo que sobrou do sofá. Mas, especialmente, deu vontade de chorar porque Zoe Cristina estava feliz da vida, latindo, saltando, como se tivesse muito orgulho de sua obra. Lua Maria que não é tatu, e sim uma cachorra esperta, estava quieta, ressabiada, e ao olhar para suas duas mães, paradas no meio da sala, prestes a soltarem um grito, ela se mandou para a cozinha. Zoe percebendo que não ganharia carinhos e sim, quem sabe, uns cutucões, foi atrás de Lua e as duas se esconderam debaixo do armário da pia. Foram para o lugar que aprenderam que se chama "castigo".
Desde então, guardo uma dúvida: Zoe Cristina está comendo o sofá porque gosta muito dele, porque adora o sabor da espuma, sua consistência e aroma, ou ela está destruindo o sofá porque detestou o modelo e a cor? Teria ela um estômago de avestruz ou um apurado senso estético de designer de interiores? Seria ela uma cachorrinha danada de arruaceira ou ela apenas está tentando nos dizer que a sala, a família, a casa merecem uns sofás novos, mais modernos, mais estilosos?
Confesso que não sei. Só sei que a pequena Zoe tem feito todo esse estrago com um dente a menos, que ela perdeu num dos embates que travou com Lua Maria. E eu penso: se meio banguela ela apronta tudo isso, tenho até medo de imaginar o que ela faria se estivesse com todos os dentes na boca.
E agora? Ó dúvida cruel: Compramos sofás novos ou adotamos o estilo despojado de uma sala vazia, sem lugar para sentar, sem plantas nem cortinas, como a casa cantada pelo Vinícius de Moraes, "era uma casa muito engraçada não tinha teto, não tinha nada...". Será que o poetinha teve uma Zoe Cristina??

Um comentário:

  1. OLa,Ana! Adorei a epopéia sobre a Zoe. Pelo pouco que conheço a pequena, é melhor comprar sofás de vento....

    Beijo

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