quarta-feira, 20 de julho de 2011

Meu dono de estimação - O osso do vizinho é melhor

Hoje cheguei a tempo de reassumir meu lugar nesta coluna e mandar aquela abelhudinha, e um tanto convencida, da dona Zoe Cristina, ciscar em outro gramado, ou melhor, bater patinhas por outro teclado.
Agora, recuperada, sem muletas, e andando normalmente, estive observando as meninas Lua e Zoe e cheguei a uma conclusão: a grama do vizinho também é mais verde para os cachorros. No caso deles: o osso alheio é mais saboroso ou o brinquedo do irmão é bem mais interessante.
É que compramos lá em casa uns brinquedos em forma de ossos, chinelos e bonequinhos, numa tentativa desesperada de convencer Zoe Cristina a parar de comer a casa. Chegamos com os pacotes, chamamos as meninas e dividimos os brinquedos por tamanho. Lua Maria ganhou os maiores e Zoe ficou com os mais delicados. Afinal, uma pesa 3 e a outra 13 quilos. Elas pegaram os brinquedos, animadas, fazendo festa, e correram com eles para o sofá, ou o que restou do sofá, né?
Mas, pouco tempo depois, elas estavam estressadas, uma rosnando para a outra. Tradução: Zoe queria o brinquedo que estava na boca da Lua e Lua já tinha tomado o outro brinquedo menor da Zoe. Demos bronca, dissemos uma meia dúzia de "não, não pode!" e, novamente, entregamos os respectivos brinquedos a cada uma. Mais um tempinho e novos sons de briga na sala. Elas estavam com os presentes invertidos e, ainda assim, brigando.
"Tá bom, tá bom... vocês querem ficar com os brinquedos assim? Trocados? Então fiquem, contato que vocês parem de comer a casa, vão comer seus brinquedinhos, vão..."
Doce ilusão... Quando Zoe tomava de Lua o osso de brinquedo amarelo, imediatamente ele se transformava no MELHOR brinquedo do mundo. E quando Lua roubava de Zoe o chinelinho azul, pronto! Zoe não tinha olhos para mais nada no mundo a não ser o chinelinho de borracha azul. E assim elas têm passado as horas: brigando porque querem o que não têm, ou brigando porque querem o que está na boca da outra.
Tenho que admitir: eu acreditava que esse comportamento, de querer o que é do outro, achar que o alheio é melhor, ou valorizar algo apenas quando ele está perdido, fosse extremamente humano. Mas, olhando as meninas nessa disputa sou obrigada a refletir se o desejo, e suas loucuras, não ultrapassa a esfera do que é humano e invade outras terras, outros universos bem mais misteriosos.
Por que é assim, afinal? E por que esse "defeito" pode ser encontrado no reino animal, entre vidas que muitas vezes guardam mais sabedoria que a humana, uma vez que seguem basicamente seus instintos?
Seria instintivo achar que a galinha do vizinho é mais gorda?
Estamos todos, humanos e animais, fadados ao desejo nunca satisfeito?
Não tenho a resposta e como se diz em Portugal, "cá, se vai andando com a cabeça entre as orelhas". Ou seja, nada a fazer. É assim porque é assim e ponto final.
Mas, antes do ponto final: acho que se a Zoe tivesse escrito, a coluna estaria melhor, né?
Afinal, ela escreve melhor que eu...

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