quinta-feira, 28 de julho de 2011

Meu dono de estimação - Diferentes mas iguais

Quem tem um cachorro, além de uma companhia alegre, tem um livro aberto, recheado de bons exemplos de como a vida pode ser mais leve e mais simples. Quem tem dois cachorros tem uma biblioteca inteira. Isso porque com dois cachorros em casa, os comportamentos caninos se acentuam e, pasmem, se diversificam. E o que manda nessa bagunça? Uma harmonia, uma dança sincronizada, que eu ainda busco a resposta de como eles conseguem ser tão iguais e tão diferentes. Tudo ao mesmo tempo.
Lua Maria, nossa sem raça definida, é uma cachorrinha de bem com a vida. Ela adora passear, brincar com outros cachorros e dormir. Já Zoe Cristina, nossa pimentinha pintscher, sem dúvida adora a vida, especialmente se ela for vivida num dia de sol, mas não gosta tanto assim de sair de casa, dorme pouco, e demonstra, com seus poderosos "dentinhos" e rosnados assustadores, que não admira seus iguais e, se possível, quer ficar bem longe deles. Ela é ela. E é mais ela.
No máximo, Zoe admite a presença de Lua Maria que, afinal, já morava na casa quando a pequena chegou tremendo num primeiro momento e botando banca no minuto seguinte.
Observo as duas e fico confusa. Elas podem ser muito diferentes no tamanho e nos detalhes de ter ou não ter uma raça, mas elas são iguais na descendência do lobo selvagem, e deveriam seguir os mesmos instintos, certo? Nem sempre.
Quando imagino que Lua vai gostar de um brinquedo ela o ignora solenemente e Zoe se apaixona pelo mesmo. Quando puxo Zoe Cristina para perto e tento fazer-lhe mil carinhos, ela se desvencilha de mim, roda, roda na cama e vai se deitar bem distante. Quer sossego. Daí faço cara de quem entendeu a lição e ofereço outro brinquedo para Lua Maria. Mas ela mudou de ideia e agora deseja o anterior, babado pela Zoe ou perdido embaixo do sofá. E quando me mantenho distante de Zoe, lendo distraída, ela se aproxima e quer colo, quer cafuné. Dá para entender?
Isso significa que dois cachorros em casa ensinam algumas lições como: não se apegue a regras definidas, troque de interesse todos os dias, em alguns momentos goste muito de comer maça na vasilha cor de rosa mas em outros tenha horror ao cheiro da fruta e transforme a vasilha em algo bom de morder, não siga rotinas e nem se deixe conhecer tão bem assim.
Ah, e deve ficar claro quem manda na relação aceitando carinho apenas, e tão somente, se você quiser, na hora e do jeito que você quiser. Caso contrário, saia de perto da pessoa pegajosa, dê umas duas voltas na cama e deite-se onde você escolheu... Epa! Mas isso não é coisa de gato? Pois é...eu também pensava que fosse mas Zoe Cristina me convenceu de que isso também é coisa de cachorro, especialmente dos menores e mais bravinhos.
Tudo bem, agora eu entendi. Só que tenho certeza de que amanhã estará tudo diferente de novo e eu não vou me surpreender se Lua Maria se recusar a passear e Zoe Cristina de repente fugir do sol. Elas querem me enlouquecer? Não, nada disso. Elas apenas são genuinamente animais e fazem o que sentem vontade de fazer. Sem convenções, regras e etiquetas sociais, sem medo do amanhã, sem drama nem ansiedade. Elas também me ensinam que não se deve ter medo de mudar, de fazer a mesma coisa de outro jeito, e que pode ser bem divertido acordar um ser diferente, renovado, a cada manhã. Entendeu? Xi, mas já mudou...

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