quarta-feira, 29 de junho de 2011

Meu dono de estimação - Sem drama

Eu, Zoe Cristina, roubarei a coluna mais uma vez. Só que hoje não vou digitar porque estou super ocupada, roendo a alça da bolsa preta da mamis pererê. Eita alça gostosa! Estou até babando...
Sendo assim, minha fiel escudeira, Lua Maria, vai digitar meus sábios e profundos pensamentos. Tudo bem que ela é meio lerdinha e se perde com tantas teclas... É que nós, da raça Pintcher, somos naturalmente mais rápidos... e mais barulhentos também, devo acrescentar... além de mais lindinhos...hehehe...
Mas vamos lá, secretária Lua Maria:
Enquanto degusto esta deliciosa alça de couro ecológico, da bolsa que foi esquecida fora do armário, imagino que hoje a mamis pererê vai demorar mais que o normal para chegar da fisioterapia. Isso porque ontem o ortopedista deu sinal verde para que ela ande sobre as duas patas, ops, dois pés (grande coisa, né? nós cães andamos sobre as quatro patas desde que nascemos), e ela trocou aquele trambolho de andador por duas muletas canadenses, de alumínio, bem leves, com pontas de borracha que, se eu tiver uma chance, prometo roer.
Só por causa disso, ela está "se achando", como diz meu irmão humano. Saiu feliz da vida e eu sei que depois da fisioterapia ela vai atravessar a rua, na faixa de pedestres evidentemente, e tomar um café na padaria da esquina. Com o andador, e pulando com a perna direita, não dava para atravessar rua nenhuma e ela passou várias manhãs na calçada, olhando para a padaria, sentindo o cheiro bom do café, mas sem coragem de ir até lá de andador.
Que bom que ela vai demorar. Terei mais tempo com esta delícia gastronômica que tenho aqui, entre meus afiados dentes.
Eu e Lua Maria temos conversado muito sobre esta fase aqui em casa, sabe? Tirando a complicação normal dos seres humanos (vocês são difíceis, viu?!), espero que todo mundo por aqui tenha aprendido uma lição. Tudo muda a todo instante e temos que acompanhar, seguir o fluxo.
Nós cachorros percebemos no ar as mudanças quando elas ainda nem dobraram o quarteirão mais próximo. E não sofremos com isso. Nossa adaptação é, digamos, automática.
Choveu a manhã inteira? Não tem passeio? Tudo bem, a gente inventa correrias pelos sofás e dobra o número de lutinhas pela cama. Gastamos nossa energia do mesmo jeito, e sem sofrer.
Eu e Lua Maria só choramos pra fazer manha, quando nos prendem na cozinha ou quando nossas mães inventam que temos que dormir em nossas respectivas caminhas. Daí a gente chora, faz cara de cachorro sem dono, sofredor, e o portão acaba sendo aberto ou subimos na cama das mamis de madrugada, quando elas estão em sono profundo, só pra mostrar quem manda aqui e de quem é, afinal, a última palavra. Sem drama.
- Captou a mensagem Lua Maria?
- Ah, não sei não... Será que eu perdi alguma parte?
- Deixou bem claro que os seres humanos complicam muito as coisas e que tudo é, relativamente, simples?
- Rela o quê?
- Relativamente... vai, tenta, digita devagar.
- Ah, não sei não mas... acho que deu.
- Isso Lua Maria. Agora assina aí Zoe Crisitina e coloca meu nome em letras maiúsculas, tá?
- Cê é metidinha, isso sim.
- Não minha amiga. Eu sou é centrada, equilibrada e ciente do meu valor e do meu papel neste mundo.
- O quê? Você comeu todo o papel do mundo?
- Ai, senhor dos cães mimados, socorrei-me!
- Tá bom, eu assino, pronto:
ZOE CRISTINA MIMADA DA SILVA (vingancinha!)

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