quarta-feira, 1 de junho de 2011

Meu dono de estimação - Patinha quebrada

Quebrei a pata esquerda e ganhei uma placa de aço, e mais sete parafusos no tornozelo. Com isso, estou de molho, com o pé pra cima a maior parte do tempo e só me movimento muito devagar pela casa, com a ajuda de um andador e pulando com a perna direita.
Nesses momentos você descobre que, sem as duas pernas, ou os dois pés, em ordem, tudo entra numa perspectiva diferente na vida. Pegar uma xícara de chá fumegando, por exemplo, é coisa que você só pode fazer se estiver sentado, e não vai conseguir levá-la da cozinha para a sala pulando sobre uma perna só e tendo que apoiar as duas mãos sobre o andador. Tomar banho, então, só sentado, em segurança.
São momentos ricos, de novas descobertas, de avaliações, pausa para pensar na vida e, mais que nunca, desejar estar bem, com saúde e em paz.
Enquanto eu estava no hospital, para a cirurgia, minhas fiéis escudeiras, Lua Maria Branquela e Zoe Cristina Banguela, do país das Cristinas, se apoderaram da cama. Quando eu voltei, foi uma festa só. E como passo a maior parte das horas com uma bota imobilizadora, elas andam se divertindo às minhas custas, com meu passo a passo, de tartaruga meio manca. Outro dia ouvi uma conversinha entre as duas: Zoe Cristina tentava combinar de me derrubar. Pra minha sorte, Lua Maria não aceitou. O plano era que quando eu estivesse saindo do banho e pulando para o quarto, elas viriam correndo numa carreira só e zaz!!... derrubariam o andador e eu cairia um tombo daqueles. Ainda bem que Lua é boazinha e não caiu na conversa sedutora de Zoe, a mais danadinha.
Mesmo assim, estou atenta. Quando cochilo com a perna esticada na cama, é fatal: elas vêm correndo do nada e pulam para a cama, pulam sobre minha perna operada e, ainda, cheia de pontos. Que gracinhas, né?
O bom é que pra elas tudo vira um ótimo brinquedo ou um ótimo objeto para ser roído e as duas andam de olho nos velcros da bota imobilizadora... o solado de borracha, então! Nossa, que delícia!
E assim caminhamos pela casa: eu, como Ana temporariamente Pererê, e as duas criaturinhas tirando onda da minha cara, fazendo lutinhas sobre o meu pé ferido... Viva o bom humor dos cachorros!

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