quarta-feira, 18 de maio de 2011

Meu dono de estimação - Entre mordidas e lambidas

Estou lidando com a frustração. Frustração de não ter sido rápida suficiente ou de não ter percebido o risco da situação. Tenho duas cachorras e elas vivem fazendo lutinhas pela casa. De um lado do ringue, Lua Maria Branquela, com aproximadamente 12 quilos. Do outro, Zoe Cristina, do país das Cristinas, pesando 2 quilos e muita ousadia.
A briga se dá porque Zoe não respeita o tamanho de Lua Maria e avança sem piedade contra a peso-pesada. No máximo, Zoe deixa uns arranhões nas pernas da oponente mas consegue encher e encher e encher a paciência da colega. A sorte é que Lua é uma sem raça definida, boa de prosa e, em geral, faz que luta mas não machuca a peso pena que é Zoe Cristina.
O perigo é quando as duas estão com sono, sobre a cama, num domingo à noite. Lua Maria já estava debaixo do edredom e quando ela está ali, naquele cantinho escuro, quente e quieta, ela rosna bem para as investidas da pituquinha sem noção. Tudo acaba em risadas da família feliz e pronto, luz desligada, e vamos dormir. Mas, no último domingo não foi bem assim. Zoe, muito rapidamente, furou o bloqueio do edredom e se enfiou lá embaixo. Num instante elas se enfrentaram e Zoe levou a pior, saiu com a boca sangrando. Saldo da luta: menos um dente em sua boca. O central direito superior ficou mole, fora do lugar, e dois dias depois do trauma caiu. Não sabemos se caiu inteiro, com a raiz, ou não.
Zoe Cristina está definitivamente banguela. E nós estamos, em família, definitivamente tristes. Tudo bem, é apenas um dentinho petitico, da frente ainda, não vai atrapalhar a mordida e Zoe Cristina não é de dar risadas, logo não afetará seu charme natural. Mas, nada nos tira da cabeça que foi vacilo nosso, que não estamos cuidando bem das cachorras, que estamos patinando nos quesitos educação, liderança e energia assertiva.
A briga foi no domingo. Segunda de manhã, as duas já estavam brincando pela sala, como se nada tivesse acontecido. E já voltaram a ser as melhores companheiras para voar pela casa, furar sofás, comer plantas proibidas e, pasmem, fazer lutinhas sobre a cama. Zoe Cristina perdeu um dente e ainda assim desafia Lua Maria, ainda assim não percebeu que está em desvantagem de uns 10 quilos pelo menos, ainda assim não enxerga que deveria respeitar o tamanho dos dentes e ossos de Lua Maria.
Olho a janelinha na boca da pequena Zoe Cristina e meu coração se encolhe. Queria voltar o tempo e pegá-la a tempo de impedir que ela entrasse debaixo do edredom... Nada possível. Não há rascunhos na vida. Tudo apenas acontece. Às vezes de um modo certeiro, feliz. Às vezes de um jeito em que as trombadas nos levam dentes, alma, pedaços.
Entre Lua e Zoe está tudo bem e parece que o estresse já passou. Mas eu, taurina e lenta que sou, ainda tento lidar com o que não controlo. E tenho me dado conta de que não controlo bem mais itens do que posso suportar. "Acostume-se a isso!", sussurra uma voz pra mim, "O controle é apenas uma ilusão"...

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