sexta-feira, 15 de abril de 2011

A situação do cinema nacional

O cinema nacional está em um dos seus bons momentos, para não dizer o melhor, mas como aqui já aconteceram grandes períodos de altos e baixos, como a era ouro dos anos 40 com seus grandiosos estúdios (Vera Cruz, Atlantida), a Chanchada, o Cinema Novo e mesmo o cinema da década de 90, é melhor não fazer tanto alarde.
Mas bem, estamos agora com um boom de filmes que estão conseguindo ultrapassar a barreira do um milhão de telespectadores, o que é fantástico. Vários fatores podem ser apontados para isso, o crescimento do país, da classe C, da estabilidade econômica, mas como esta coluna trata de cinema, vamos deixar tudo isso de lá e se ater aos filmes.
De fato a qualidade do cinema atual é muito boa, o som não é sofrido como antigamente, quando era muitas vezes impossível entender o que os atores estavam falando, os roteiros estão melhorando muito, a qualidade de direção de arte, figurino, tudo está muito melhor do que antes, ou seja, as pessoas que fazem cinema no país estão deixando de pensar em filmes como tratados filosóficos cabeças, para formar um mercado real que agrade o grande público, sem contudo, perder a qualidade das histórias, porque o bom filme é aquele que barato ou caro consegue contar uma boa história de forma simples, elegante e sincera (hahahah).
Mas, falando a verdade, um filme que consegue contar uma história que prenda a atenção do telespectador, que o tire do mundo real, ou o coloque ainda mais perto da dura realidade, por uma hora e meia, ou duas, ou três....
Claro que ainda temos muito do cinema “Globo Filmes”, onde os filmes mais parecem uma continuação de uma minissérie ou uma novela global transportada para as telonas, no entanto Tropa de Elite 1 e 2, Saneamento Básico, As Melhores Coisas do Mundo, Manu de Bicicleta, trazem um frescor e uma qualidade técnica que precisam se consolidar neste país para termos enfim uma indústria de cinema. Como também é necessário quebrar a dependência doentia e infelizmente quase obrigatória de leis de incentivo que só chegam às mãos destes diretores, produtores e atores conhecidos da mídia, criando um ciclo vicioso que nunca termina.
Eu torço muito para que a ainda insipiente indústria de cinema deste país cresça e dê emprego para os milhares de jovens que estão cheios de idéias na cabeça, mas que não conseguem se inserir neste mercado e que acabam ou trabalhando em TV ou indo para o cinema publicitário, ou vendendo pipoca na porta do cinemas.
Enquanto esperamos pelo amadurecimento desta indústria, a gente vai se divertindo ou odiando os nossos filminhos, que aos poucos vão tomando as salas das grandes redes de cinema do país, e quem sabe um dia a gente tenha aqui uma produção tão assustadora como a de uma Bollywood.. E que Deus queira com filmes bem melhores é claro....

Um comentário:

  1. Penso que a qualidade no cinema brasileiro tem realmente melhorado muito. Mas atribuiria mais um fator à isso. Justamente a dos filmes independentes. A qualidade cinematográfica, a meu ver, começa por aí. Todos os dias vejo curtas, animações fantásticas feitas por pessoas totalmente desconhecidas que acabam ganhando seu nome na rede. Por exemplo, o longa brasileiro que foi selecionado pra Cannes. Quase ninguém conhece os autores, o custo foi baixíssimo e não vai fazer feio. Acredito que quando essas mesmas pessoas tem uma oportunidade, diriamos, de "gente grande" é aí que a mágica acontece. Espero ver ainda muitos filmes, curtas e animações brasileiros excelentes, mas confesso que não espero os ver no cinema. Não por enquanto. Quem sabe um dia, com o mercado mais aquecido esse pessoal genial tenha as oportunidades certas.

    ResponderExcluir