terça-feira, 19 de abril de 2011

Queria eu ter entrevistado-o

Seu nome é Ricardo José Neis. Ele tem 47 anos e é bancário em Porto Alegre. É ele o motorista desse carro que atropelou 17 pessoas durante uma "bicicletada" na capital gaúcha. No domingo (17), o Fantástico apresentou uma entrevista com o atropelador.
"Eu nunca tive a intenção de matar nenhuma dessas pessoas", diz ele ao repórter Valmir Salaro. A covardia aconteceu no dia 25 de fevereio. À época, o Macacos Novos apresentou um comentário sobre a barbárie. O caso ganhou a mídia e as redes sociais.
Mas foi só agora que o motorista nervosinho resolveu falar. Acompanhado de dois advogados, ele sentou-se frente a frente com a reportagem da Globo e tentou, leia-se tentativa frustrada, se justificar.
O problema, meu amigo, é que um programa televisivo do porte do Fantástico não se contenta com explicações superficiais. Levantaram o histórico de multas de Ricardo Neis e descobriram que ele já dirigiu sobre a calçada, ultrapassou na contramão e, na vida pessoal, até tentou agredir uma ex-namorada.
Com essa vida violenta, era de se esperar que algo mais bárbaro viesse. E veio. Para se justificar, o motorista disse que os ciclistas estavam batendo no carro dele e assustando ele e o filho. Mas será que essa criança não ficou um pouco mais assustada ao ver a crueldade com que o pai arrancou e saiu "passando por cima" de quem estivesse à sua frente?
Queria eu ter sentando à frente dele para fazer a entrevista. Observar cada reação a cada resposta. Mexer na ferida. Acompanhar o nervosismo e as gotas de suor escorrendo da testa. A equipe que produziu a reportagem está de parabéns. Uma pena que o atropelador vai responder às acusações em liberdade.
Espero ver uma reportagem que diga que ele foi condenado e cumprirá a pena em regime fechado.

Um comentário:

  1. O que ele fez equivale as desculpas.. não tem cabimento nenhum.

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