quarta-feira, 20 de abril de 2011

Meu dono de estimação - Malas e "maletinhas"

Passei mais de 20 anos da minha vida desejando boa viagem às pessoas em feriados e finais de semana, e lá no fundo sentia uma baita frustração porque eu estava presa ao trabalho. Como jornalista, sempre no ar, minha escala de plantões me fez perder dia das mães, dos pais, natais e viradas de ano novo, me fez perder mais de 20 anos de convivência com pessoas importantes. E valeu a pena? Não. Para mim não. Tanto que reinventei minha vida profissional e hoje só concordo em trabalhar para ser feliz.
Como são felizes as duas pimpolhas que tenho em casa: Lua Maria Branquela e Zoe Cristina, do país das Cristinas. Elas sim sabem levar a vida batendo patinhas pelo bairro e pela casa, disputando o burrico de pelúcia cor de abóbora que ganharam de presente de páscoa. Elas sim sabem que o bom da vida é um pouco de sol na sala e a barriguinha para cima.
Os mais de 20 anos de estresse e de vida ruim deixaram sequelas e por mais que eu tente me inspirar na leveza das meninas, ainda sou um ser rasteiro e estou longe de poder voar.
Mas, para tentar carregar as baterias que já se esgotaram (e ainda estamos em abril!!!!), resolvemos viajar para São Francisco Xavier. Eu adoro viajar. Ainda mais para um lugar onde sei que haverá sol pela manhã e friozinho à noite... aquele cenário romântico, a lareira, o mato, as estrelas coalhando o céu.
O ruim de viajar é deixar as meninas. Elas ficam em segurança e com conforto, claro. Estarão sob o olhar atento e o carinhoso de um amigo que é apaixonado por cães e sabe lidar com eles. E eu sei que na Quinta dos Bichos, Lua Maria e Zoe Cristina ficam muito bem instaladas e se dão muito bem tanto com os outros cachorros, hospedados no pet, quanto com as pessoas que lá trabalham. Mas, olhar as duas pituquinhas no dia da viagem sempre me dá uma dorzinha no coração. Melhor mesmo seria viajar a família toda: as meninas, o menino, e todas as nossas tralhas. Mas, para certos lugares e em certas situações esse ideal não é possível.
Ontem, enquanto separava as roupas, Lua Maria e Zoe Cristina rondavam, pulavam nas coisas e, óbvio, queriam brincar na mala aberta. Ver as duas dentro da mala aumentou minha vontade de fazer uma viagem com a família completa. Por que sempre tem que faltar um pedaço?
Respiro fundo, penso na energia boa de São Francisco Xavier, ajeito as roupas e fecho as malas. Antes tirei as "maletinhas", claro... Elas ficam e eu levo a certeza de que preciso, ainda mais, aprender a ser simples. Os cachorros não vivem a angústia do dia de amanhã. Eles, sabiamente, só entendem que hoje estão vivos. E se houver comida, água fresca e carinhos, tudo bem... a vida pode ser uma delícia!

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