quarta-feira, 2 de março de 2011

Meu dono de estimação II

Quanto dói uma mordida de cachorro? Hoje posso dizer que sei o quanto dói e é muito. Bem mais que apertar o dedo na porta do carro. Muito mais que dar uma martelada, sem querer, no próprio polegar. Fui mordida em casa. Lua Maria, minha amada srd, estava dormindo. Fim de tarde, a sala mergulhada em penumbra e eu evitando de me levantar do sofá, onde estava sentada com o netbook no colo,escrevendo, trabalhando. Não queria me levantar para não perder o fio da meada. Até que Zoe Cristina Primeira, do país das Cristinas, resolveu que era hora de brincar. Hora da lutinha. Ela provoca a Lua até não poder mais. Se joga contra o corpo da Lua, morde-lhe as orelhas, o rabo, as patas de trás e late... late um bocado, voz fininha, aguda, latidos de pintcher... daqueles que podem ser ouvidos na esquina. Mas, eu fingi que não era comigo. E não era mesmo. Ela queria lutar e morder Lua Maria. Só que ela esta estava dormindo, bonachona, com preguiça. Começou a rosnar. Música aos ouvidos de Zoe irritante Cristina que sentiu que se aproximava de seu objetivo e intensificou os ataques. E eu escrevendo, com prazo para entregar o texto, com mil coisas a fazer além de escrever, telefone tocando, e as horas se desfazendo no monitor do computador. E Lua não aguentou mais e elas começaram a lutar. Zoe não tem medo do tamanho da oponente, nem teme seus dentes ou seus rosnados que vão se tornando mais agressivos. Zoe não tem medo de Lua Maria e deixa isso bem claro nas provocações. Desconfiei que a lutinha estava indo longe demais e achei que o rosnado da Lua não estava para brincadeiras. Foi tudo muito rápido: no que eu abaixei a minha mão esquerda, para tentar levantar Zoe do chão, acabar com a luta, senti os dentes de Lua Maria entrando, apertando meu polegar. A dor foi intensa. Meu primeiro pensamento foi de que estava com o dedo quebrado. Uma das mordidas pegou a base da unha que escureceu na hora. Sangue pisado. Sangue saindo e Lua Maria ficou muito chateada. Ela saiu correndo, com medo, e foi se esconder debaixo do armário da cozinha, onde se coloca em auto castigo quando apronta bagunça na sala. Cuidei do ferimento, tive certeza de que não havia osso quebrado e fiquei com o dedo no gelo. Foi difícil tirar Lua Maria do castigo, convencê-la de que ela não tinha tido culpa. Ela parecia muito chateada. E Zoe Cristina? Nem aí. Não deu a mínima. Nem para a minha dor e nem para a culpa da amiga. Queria mais lutinha, isso sim. E como não conseguiu mais parceria para o ringue, resolveu acabar de vez com a raça do sapo verde, de pelúcia. Pegou a cabeça do bicho e deixou-o acéfalo. Em poucos minutos, Zoe esvaziou a cabeça do sapo e espalhou aquele monte de cérebro branco, de fios de seda imagino, pelo sofá. Zoe Cristina UM, sapo ZERO. E com o dedo latejando, e a sujeira na sala para ser limpa, desisti de terminar o texto. Melhor pedir um prazo maior e alegar acidente canino doméstico de lusco-fusco. Será que alguém entenderia?

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