terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O bicho, meu Deus, era um homem

É com esse trecho do poema O Bicho, de Manuel Bandeira, que inicio a postagem de hoje. Esses dias, enquanto lia um livro na sacada do meu apartamento, numa manhã nada ensolarada, vi um homem na rua. Não era a primeira vez que o via. Em outros momentos, em que fico na sacada observando a rua e o horizonte, vi aquele senhor.
O senhor apareceu enquanto eu, já cansado da leitura, fixava o olhar ao nada. Ele chegou na frente do prédio ao lado e abriu o a tampa do lixo. A princípio imaginei que se tratava de um coletor de recicláveis, já que era o dia do caminhão da coleta seletiva passar (segunda-feira).
Ele separou uma caixa de papelão no canto da lata e continuava a busca, que parecia incessante. Mas logo vi que o que ele procurava não era reciclável, era orgânico. Revirava as sacolas em uma procura frenética, rasgava tudo, como um cachorro procurando um osso.
No caso desse senhor, qualquer coisa serviria. Ele procurava comida. Não cheirava, não analisava se estava podre. Era comestível, ele colocava para dentro da boca. Aquela situação se repetiu por poucos segundos. Suficiente me deixar com um sentimento ruim.
Ao fim, ele saiu caminhando, carregando uma sacola de supermercado em uma das mãos. Logo depois dessa cena, péssima para começar o dia, me lembrei desse poema:

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Anotei no bloquinho e pensei: preciso criar uma postagem sobre isso. Não vou falar da falta de consideração dos governantes para reverter essa situação, não vou falar que falta assistencialismo, que faltam pessoas de bom coração para alimentar essa população.
Deixo aqui a minha indignação com a cena e espero ter conseguido relatar em palavras o que vi em imagens. A única coisa que peço é: reflita.

Um comentário:

  1. Olá, Felipe.

    Estava procurando imagens de pessoas catando lixo e encontrei a imagem acima, e cheguei no seu blog.

    Realmente, precisamos refletir sobre que tipo de humanidade nós estamos nos tornando.

    Participo de um movimento altruísta chamado Gnose Amor Maior, que ensina que a mudança começa dentro de cada um de nós.
    Se tiver interesse em conhecer, o site é: www.amormaior.org
    Lá você pode pedir livros gratuitos que ensinam sobre Os 3 Fatores de Revolução da Consciência. Este é o ponto de partida para uma verdadeira mudança.

    Obrigado.

    Márcio Santos

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