terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Manifestação é uma coisa, depredação é outra

Na semana passada, uma manifestação na cidade de Santo Antônio do Descoberta tomou conta dos noticiários pela dimensão que o protesto tomou. A cidade com 62 mil habitantes, distante 45 quilômetros de Brasília, está abandonada. O asfalto está precário, a saúde pior, transporte público praticamente inexiste.
Acho válida a iniciativa de protestar, apitar e gritar pelos direitos. Enquanto isso não está ferindo bens públicos e privados e não está havendo agressão, ótimo. Agora, destruir ônibus, praças e prefeitura, não.
A polícia foi chamada para conter os manifestantes. Conter é uma coisa, agredir é outra completamente diferente. Uma reportagem do Jornal Nacional mostra policiais agredindo populares com tapas, chutes e balas de borracha. Não foi mostrado a que pé estava a manifestação, para que tipo de atitudes o povo estava caminhando.
Eis que, para proteger os fiéis e manifestantes, o padre abriu as portas de uma igreja centenária e os abrigou. Depois disso, tomou a frente e foi negociar com o comandante da operação policial.
Dois pontos relevantes nessa história. Primeiro, o padre abrigar os fiéis na igreja, tomar as dores da população e negociar o fim do confronto. Segundo, e mais interessante, a manifestação em si. Muitas vezes já ouvi pessoas mais velhas dizendo que os jovens de hoje são muito passíveis, não reclamam seus direitos, não saem às ruas.
Nessa cidade goiana, as pessoas fizeram isso. Cansadas de ver o dinheiro de seus impostos não sendo aplicados em benefícios públicos, o povo cansou. A última gota pingou e a população, enfurecida, se viu na obrigação de cobrá-los. A única forma para fazer isso, foi o protesto. Repito, protesto e manifestação, sim, depredação ao bem público, não.

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