sábado, 29 de janeiro de 2011

Os oito anos roubados

3.096 dias. Esse é o tempo que Natascha Kampusch ficou sequestrada em um cubículo em uma casa na Áustria. Com 10 anos de idade, ela ia para a escola, sozinha, pela primeira vez. Como diz a reportagem do Fantástico, o caminho parecia tranquilo e poderia ser feito em apenas 15 minutos.
Mas, um desequilibrado cruzou o caminho de Natascha. Raptada, em 1998, ela ficou sob o poder de Wolfgang Priklopil durante 8 anos. Ou seja, uma das melhores fases da vida de uma pessoa foi apagada. Ela não teve o direito de viver a adolescência dela.
Na reportagem da Veja do dia 26 de janeiro, a menina-mulher revela detalhes da vida de uma pessoa que chega à fase adulta sem ter tido a oportunidade de amadurecer com o tempo. Fora do convívio social, sem pessoas da mesma idade para trocas de experiências, Natascha revela que quando está com outros jovens da mesma idade que a dela, 22 anos, ela se sente "uma pessoa sem idade".
Nesse tempo em que esteve presa, a austríaca foi violentamente agredida, era obrigada a dormir algemada com o sequestrador, mas não conta detalhes de abuso sexual. No dia em que conseguiu fugir, o criminoso se matou. A casa em que ficou, agora, pertence a ela. Vi que deve ser vendida e/ou demolida, para que não seja transformada em um ponto turístico.
Depois de algum tempo livre, Natascha resolveu contar sua história. O livro foi lançado esta semana no Brasil.
3.096 Dias narra o drama de uma menina que teve parte de sua infância e sua adolescência privada, por quê? Ninguém sabe. Não gosto nem de pensar na sensação de ter 8 anos, em uma fase de descobertas e aventuras, perdidos. São momentos únicos, vicenciados na idade certa. Pessoas que conheci, que se foram. E os pais? Imagine o desespero de não saber as condições de uma filha por tanto tempo.
Só sei de uma coisa, quero esse livro para compartilhar a dor dessa mulher.

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